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À espera de mais humanidade

À espera de mais humanidade

Julio Lumbreras terá sido dos únicos doentes com Covid-19 do Mundo a receber a visita da mulher. Percebe-se a exceção: o espanhol só descobriu que estava infetado quando acordou ao fim de 57 dias de internamento.

A ressalva para o madrileno que foi levado para os cuidados intensivos, num momento em que os espanhóis não imaginavam o drama que também iriam viver, foi explicada por Gabriel Heras, responsável pela humanização do hospital de Torrejón. "Se deixarmos que os pacientes sofram e morram sozinhos porque não temos equipamentos de proteção individual, precisamos de refletir sobre o tipo de sociedade que somos", esclareceu.

Esta reflexão importa fazer desde já. Pelos doentes, pelos utentes dos lares de terceira idade e pelos seus familiares. Uma eventual segunda vaga da pandemia, temida por muitos virologistas, pode ter consequências ainda mais graves. Não só na economia e na saúde, mas também nos afetos agora violentamente roubados a milhares de famílias.

A nova normalidade antecipa tempos difíceis para governantes e governados. E se até aqui, salvo algumas exceções, todos se saíram bem, só uma preparação atempada permitirá que pais e filhos, avós e netos possam minimizar horas de sofrimento.

É portanto imperativo que se preveja a necessidade de equipar as instituições com a segurança necessária para que os doentes e os utentes dos lares não sejam privados de visitas. E que a angústia vivida nos últimos dias pelos familiares dos residentes do Lar do Comércio, que não conseguiam sequer obter informações, não se repita. Recuperar milhares de consultas e cirurgias não será tarefa fácil para os governantes e adivinha-se um escrutínio difícil. Mas é importante que o futuro não acolha o pior dos distanciamentos sociais.

*Diretor-adjunto

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