Opinião

A música da Festa do Avante!

A música da Festa do Avante!

O Mundo está confuso. Quando se criam ondas de apoio a Pedro Abrunhosa pelo direito do músico se expressar livremente, os artistas que este ano irão subir ao palco da Festa do Avante! estão a ser crucificados. Sendo que o princípio básico, tanto de um caso como do outro, assenta no mesmo pilar: artistas a serem artistas e a fazerem o seu trabalho.

A onda de indignação contra quem, refira-se, ainda tem o direito de aceitar ou recusar convites para participar num evento de cariz político, cultural, desportivo, gastronómico, musical e teatral, teve origem num comentário televisivo e rapidamente disseminou-se nas redes sociais. E se na televisão há lugar a entretenimento, mesmo quando se abordam assuntos complexos como a guerra na Ucrânia, nas redes os extremismos ficam evidentes. As radicalizações idem. O habitual, portanto.

O mais curioso é que, desde há uns anos, a Festa do Avante! tornou-se um alvo pelos acontecimentos satélites e não pelas mensagens políticas. Ninguém se recorda, por exemplo, das intervenções que ali foram proferidas. Mas todos se lembram do enorme ruído causado por vários partidos e por uma parte da opinião pública quando, num contexto particular devido à pandemia, a DGS deu um parecer favorável à realização do festival. Em suma, ignora-se o que é verdadeiramente importante e perde-se tempo com pormenores. Leva-se tudo demasiado a sério nesta moda do politicamente correto.

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Parece, claro, que ninguém impediria Pedro Abrunhosa de fazer na Quinta da Atalaia o mesmo que fez durante o concerto no festival AgitÁgueda e que lhe valeu ameaças da embaixada russa! Como ninguém irá impedir Dino D" Santiago de dizer no palco da Festa do Avante! aquilo que quiser.

A linha que separa a liberdade da opressão parece ser cada vez mais invisível. O melhor é mesmo seguir o conselho de Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta: não tomar parte das degradantes polémicas da aldeia global.

*Diretor-adjunto

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