Opinião

A pen de Centeno

Ao entregar, ao presidente da Assembleia da República, o Orçamento do Estado numa pen drive, o ministro das Finanças e a sua equipa passaram ao país uma imagem do passado, tecnologicamente obsoleta.

Percebe-se que estes momentos necessitam de um bom marketing político, de uma boa fotografia, de um momento televisivo. Como diriam os "influencers", quando foram visitar Marcelo Rebelo de Sousa, "se não há foto, não aconteceu".

E tudo bem. É realmente um momento importante para todos os portugueses. Porém, podia ser bem menos retrógrado. No país que acolhe a Web Summit, que se posiciona como hub tecnológico da Europa, onde é possível a renovação automática do cartão de cidadão ou da carta de condução, o ato simbólico da entrega do Orçamento do Estado numa pen é tão conservador como o próprio documento de execução das finanças públicas.

Nem o novo secretário de Estado para a Transição Digital, André de Aragão Azevedo, o mesmo que enquanto diretor da Microsoft desafiou no ano passado Mário Centeno a depositar o Orçamento numa cloud, conseguiu convencer o Ministério das Finanças a fazê-lo. É um pormenor, é certo. Como parece ser um pormenor a aposta do Governo no aumento das competências do país na área digital e no combate à iliteracia digital. Em novembro, André de Aragão Azevedo dizia que o Governo estava a trabalhar na criação de uma tarifa social para a Internet, de forma a combater uma nova forma de exclusão social. Pois, analisando o OE, não se encontra uma linha sobre o assunto. Esperemos que a promessa não fique na gaveta, caso contrário os mais velhos terão de continuar a pedinchar para que alguém os ajude a submeter o IRS, as e-faturas, aceder ao portal do SNS e que lhes expliquem o que é isso das fake news e do YouTube.

Um bom orçamento para o país é aquele que também é inclusivo e coloca, em todas as suas vertentes, as pessoas à frente dos números.

*Diretor-adjunto

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