Opinião

A segurança ensina-se

A segurança ensina-se

Tivéssemos mais educação e bons princípios sobre prevenção e segurança rodoviária que as estatísticas da sinistralidade em Portugal seriam menores e também pouparíamos tempo em legislar conforme as circunstâncias.

Para travar as mortes nas estradas, o Governo pretende implementar algumas medidas, justificadas pelos dados provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária que dão conta de um total de 509 pessoas mortas nas estradas portuguesas, no ano passado, mais 64 do que em 2016. O número de acidentes e feridos graves também aumentou. Atropelamentos, álcool e acidentes com motociclos são os três principais fatores de risco identificados pelo Governo. Para os minimizar, os locais com limitação de velocidade a 30 quilómetros/hora serão alargados, os motociclos com cilindrada igual ou superior a 250 cc serão inspecionados - o que aliás já está previsto num decreto-lei de 11 de julho de 2012 e que obrigou os centros de inspeções a investirem em tecnologia e equipamentos -, e estuda-se a possibilidade de uma habilitação específica para a condução de motociclos de baixa cilindrada, leia-se de 50 até 125 cc.

Se estamos todos de acordo que qualquer veículo que cumpra todas as normas de segurança tem menos probabilidades de estar envolvido num acidente de viação, já não se percebe os critérios pelos quais veículos de menor cilindrada ficam excluídos das verificações técnicas. E o argumento de que as vítimas mortais de acidentes com motos aumentaram em 2017, o que é um facto, também não serve para estabelecer uma relação causa e efeito para justificar como obrigatória uma habilitação específica para as motos de cilindrada igual ou inferior a 125 cc. Para tal precisaríamos de conhecer a relação entre o número de motos vendidas e o tempo médio de circulação, tendo até em conta que as condições atmosféricas condicionam o número de veículos de duas rodas nas estradas. Resta perguntar se a diretiva europeia que permite a qualquer encartado de categoria B, com mais de 25 anos, conduzir um motociclo com cilindrada até 125 cc estará com os dias contados, em Portugal, e quais as suas consequências.

São precisos mais estudos para perceber a subida do número de mortos nas estradas, é necessário regulamentar as inspeções a todos os veículos matriculados, mas urge também mais educação rodoviária nas escolas do Ensino Básico ao Secundário.

* SUBDIRETOR

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