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Opinião

A vida depois da que temos

A vida depois da que temos

Vamos voltar a ter a vida que tínhamos? Não. Não vamos. A expectativa para o plano de desconfinamento que irá ser apresentado pelo Governo no dia 11 é grande. Tão grande quanto a incerteza sobre os dias futuros. Certezas, temos poucas. As que temos são duras.

Sabemos que as consequências sociais e económicas da pandemia foram generalizadas e devastadoras. Mais desemprego. Mais pobreza. Mais desigualdade. Mais sofrimento entre os idosos. Doentes e pessoas com deficiências mais vulneráveis. Minorias mais desprotegidas. Menos direitos humanos, em países onde a ajuda internacional desapareceu face às restrições. Os problemas são muitos e conhecidos. Ontem, a Human Rights Watch recordou-os, para denunciar que a pandemia "precipitou crises de direitos humanos" à escala mundial. Avisa que o cenário vai piorar quando as moratórias dos créditos de habitação ou de contratos de arrendamento e outros apoios sociais terminarem. Num momento em que vários países preparam o desconfinamento, o apelo daquela organização não-governamental é claro e pertinente: é preciso um novo rumo.

Embora esperemos todos pelo melhor, o mais prudente é contar com o pior.

Enquanto estamos neste limbo, em que as ajudas do Estado vão camuflando as dificuldades do futuro, a verdade é que "The winter is coming", ou seja, e adaptando a célebre frase da série "Guerra dos tronos", as grandes lutas ainda estão para chegar.

Ontem, o presidente da Jerónimo Martins mostrou-se cético, considerando que vamos "atravessar uma gravíssima crise". Não há soluções mágicas que resolvam tudo, já o sabemos, mas há uma necessidade importante de gerir as expectativas, as da bazuca e as dos planos, o de desconfinamento e o de Recuperação e Resiliência. A luta não acabará com as vacinas, apenas mudará de nome.

Diretor-adjunto

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