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Opinião

Assim não, não vai ficar tudo bem

Assim não, não vai ficar tudo bem

Por muita pedagogia que as autoridades policiais, de saúde e governamentais façam, há hábitos que só se mudam à força.

António Costa bem quis "apertar um bocadinho" o estado de emergência. O aperto, como vimos, foi grande, mas mesmo assim parece insuficiente. Alguns estabelecimentos de materiais de decoração, jardinagem e bricolage são agora a cura para a ressaca do fecho dos centros comerciais. Um remédio egoísta para quem ainda não percebeu o que nos está a acontecer. São vários os relatos de funcionários destas lojas que dão conta de uma grande afluência de clientes, alguns dos quais impacientes pela demora no atendimento. Há também vídeos que nos mostram uma quantidade considerável de fregueses a deambular pelos corredores.

Percebemos, pois, que além de dotes de culinária (nunca vimos tantas fotografias de bolos nas redes sociais) há uma quantidade considerável de portugueses com dotes para a jardinagem e decoração. É verdade que o decreto que lista os estabelecimentos que podem permanecer abertos durante o estado de emergência contempla os de ferragens e de venda de material de construção e bricolage. E bem. Ninguém tem dúvidas que podem ser essenciais na resposta a percalços ou a incidentes domésticos ou, sobretudo, a quem ainda mantém abertas as portas dos seus negócios. É claro que o problema não é destes estabelecimentos, que, com esforço, tentam garantir as normas de segurança sanitárias que se impõem nesta altura.

O problema é que este não pode ser um país de chicos-espertos, sob pena da resolução desta pandemia ser cada vez mais tardia. Não interessa ter pena dos idosos que lutam para sobreviver agarrados a um ventilador se não se consegue evitar ir dar um passeio à loja de bricolage mais próxima. E, assim, não. Não vai ficar tudo bem.

Diretor-adjunto

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