Opinião

Bancos matam MB Way

Os bancos já arruinaram muitas famílias e há ex-banqueiros envolvidos em casos criminais que continuam a ter uma vida de luxo. Serão poucos os que acreditam que no setor bancário haja pessoas sérias e de bem.

Felizmente existem, mas, à custa de uma má e danosa gestão, todos ficam mal na fotografia. A maior parte tenta recuperar a sua imagem junto dos seus clientes com campanhas publicitárias megalómanas, recorrendo a Cristianos Ronaldos ou a Saras Sampaios, mas deviam era fazê-lo com ações que no dia a dia têm realmente impacto na vida de todos nós. Não o fazem. Pelo contrário.

Esta semana, tivemos outro exemplo. Ficámos a saber que a Caixa Geral de Depósitos vai subir comissões nas contas mais baratas e descer nas contas de clientes com mais rendimentos. E, depois de ter terminado com o levantamento de dinheiro com caderneta, numa discutível interpretação de legislação europeia sobre critérios de segurança, a CGD aumenta também o valor para atualização de cadernetas ao balcão. À defesa, explica que isenta de comissões os reformados com mais de 65 anos e de rendimentos mais baixos, mas a subida não a livra da polémica.

A cobiça pelo brilho da galinha dos ovos de ouro não afeta apenas os mais velhos. Estende-se também a milhares de clientes que realizam transferências com telemóvel através do serviço MB Way, juntando-se a todos os outros bancos que resolveram taxar um bom serviço, prático e inovador, numa tentativa de agarrar os clientes nas suas aplicações internas.

Na verdade, continuamos a ser quem menos importa na cadeia de valor das instituições bancárias, mesmo que algumas tenham sobrevivido à custa dos nossos impostos. Fazem lembrar um pouco a personagem do filme Joker: ao tomar consciência de quem são, não disfarçam a sua desfaçatez nem intenções.

*Diretor-adjunto