Opinião

Dress code nas escolas? Educar dá trabalho

Dress code nas escolas? Educar dá trabalho

Felizmente, vivemos numa época de combate a estereótipos, mas também numa altura onde o equilíbrio nas decisões ou nos julgamentos de várias situações é vítima da pressão de publicar e comentar nas redes sociais, à conquista de notoriedade e alcance, o que dificulta a capacidade de discernir sobre os factos.

É por isso que as regras de vestuário que algumas escolas públicas incluem nos regulamentos internos devem ser vistas com moderação e sem acusações de moralismo, ainda que nos dias de hoje seja difícil defender um pensamento crítico.

Esta semana, alguns alunos da Escola Secundária Filipa de Vilhena, no Porto, ficaram descontentes com um comunicado da Direção da escola que apela ao uso de vestuário adequado. Os estudantes falam de proibição do uso de calções, minissaias e camisolas com decotes. Já a diretora, Maria José Tavares, garante que tudo isso é permitido.

Sutiãs em vez de t-shirts, tops sem costas e aberturas laterais com vistas ousadas é que não parece, de facto, o melhor dress code para ir às aulas, ainda que nos dias de hoje seja muito sexy ser-se politicamente incorreto.

Não é só uma questão de bom senso. Tal como explica Maria José Tavares, a lei n.oº 51/2012, respeitante ao Estatuto do Aluno, diz que, nos "Deveres", o estudante deve "apresentar-se com vestuário que se revele adequado, em função da idade, à dignidade do espaço e à especificidade das atividades escolares, no respeito pelas regras".

A Associação de Pais da Filipa de Vilhena promete estar atenta. Ainda que concorde que ninguém vá de biquíni ou em tronco nu para o trabalho.

Nesta escola secundária houve sempre um princípio na tomada de todas as decisões: primeiro o aluno. Talvez resida aqui o sucesso pedagógico alcançado.

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E a intenção pedagógica da escola só existe porque há pais que se demitem da sua função de educadores. É que educar dá trabalho.

*Diretor-adjunto

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