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Opinião

E a abstenção, senhores candidatos?

E a abstenção, senhores candidatos?

A questão é a seguinte: quantos eleitores indecisos ou abstencionistas António Costa e Rui Rio conseguiram conquistar após o frente a frente televisivo de ontem, profundo nos temas tratados mas reducionista nos assuntos?

É que, na reta final dos debates entre os líderes dos nove maiores partidos, talvez seja a altura certa para se refletir sobre o que faz mover as pessoas. O que as faz permanecer horas à chuva, em fila, à espera de um teste antigénio para conseguirem assistir a um jogo de futebol, mas incapazes de se levantarem do sofá para votar. Não haverá fórmula mágica, mas com certeza haverá algumas conclusões a tirar.

Se olharmos para os números da abstenção desde 2005, percebe-se que pouco ou nada foi feito para combater o problema, além das inevitáveis reflexões nos dias seguintes aos atos eleitorais. Incapacidade? Comodismo?

Em 2005, a taxa de abstenção nas eleições para a Assembleia da República situou-se nos 35,6%. A partir dessa data, foi sempre a subir. 40,3% em 2009, 41,9% em 2011, 44,1% em 2015 e 51,4% em 2019.

O tema voltou a estar fora dos debates entre os candidatos a primeiro-ministro e continua a não ocupar o lugar que merece na agenda política, mesmo que, este ano, o número de portugueses a deslocar-se às assembleias de voto possa ser ainda mais baixo. E sobre este assunto não ouvimos no debate de ontem uma única palavra. Nem de António Costa nem de Rui Rio.

Na segunda eleição em pandemia, o voto antecipado estará disponível para toda a população. É uma boa medida, mas não é suficiente se queremos que o resultado das eleições não seja apenas uma escolha de metade dos eleitores. Como já é muito tarde para saber em que condições é que os 380 mil isolados (segundo estimativas do Governo) vão poder votar no dia 30.

Aos portugueses pede-se mais. Aos partidos também.

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*Diretor-adjunto

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