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Opinião

Eutanásia, mais cedo ou mais tarde

Eutanásia, mais cedo ou mais tarde

A eutanásia será uma realidade em Portugal. A questão não é se passa no Parlamento ou se vai a referendo. A questão é saber quando.

O assunto é incrivelmente complexo. Tão complexo como a vida e tão complexo como a morte. Mas o direito de acabar com o sofrimento insuportável e irreversível, quando não existe outra alternativa, acabará por se generalizar nas sociedades democráticas. A liberdade de cada cidadão não pode terminar no momento em que, de forma absolutamente consciente, decide morrer com dignidade, depois de esgotadas todas as alternativas e formas de aconselhamento.

O importante é que ninguém tente colocar palas e que a discussão sobre a eutanásia não inclua personagens ao estilo de um padre de Rhode Island, EUA, para quem a "pedofilia não mata ninguém", ao contrário do aborto. E que as instituições políticas, sociais e religiosas defendam os seus pontos de vista, certas de que olharam para dentro antes de falarem para fora. Que primeiro façam uma autoanálise de conduta para depois opinar ou impor sobre a vida e a morte, sobre a liberdade de cada um.

Escolher morrer é uma decisão extrema, difícil e que envolve muitas pessoas. Preservar a vida será sempre o objetivo de todos e é aqui que o debate se deve centrar. E se servir para reforçar os cuidados paliativos, tal como aconteceu na Bélgica quando o país discutiu a legalização da eutanásia, então já valeu a pena.

De resto, é bom recordar que já há portugueses que vão morrer clandestinamente ao estrangeiro. Como é importante lembrar que alguns portugueses poderão ter morrido após tomarem os "peacefull pill" (droga tranquila), que o australiano Philip Nitschke, conhecido por "Dr. Morte", admitiu ter enviado para Portugal em 2017. Drogas ilegais que também se podem comprar pela Internet.

Diretor-adjunto