Opinião

Filhos dos telemóveis de volta às aulas

Filhos dos telemóveis de volta às aulas

A educação das crianças devia começar em casa, com os pais. Mas não. Hoje em dia, inicia-se primeiro nos smartphones, uma espécie de baby-sitter virtual que trata de anestesiar os miúdos enquanto os pais vivem a sua vida ou também estão ocupados nas redes sociais.

Não restam dúvidas. No arranque de mais um ano letivo, os professores vão herdar crianças que durante o verão brincaram mais com os telemóveis do que com a areia, falaram mais com amigos virtuais do que com reais e partilharam refeições em restaurantes de olhos colados ao ecrã (ainda se levantam das cadeiras em barulhentas correrias?).

Pais e professores estão a ser substituídos por youtubers e influenciadores digitais nos conselhos e nas dicas. São os exemplos que os mais pequenos seguem, relegando para segundo plano o papel do pai e da mãe na hora de encontrar referências para o crescimento e formação de personalidade.

E, pior, quem ousa não ter o filho agarrado ao telemóvel é que não é normal. O pequeno vai apoquentar as outras pessoas porque salta, fala, corre e brinca. Em suma, comporta-se como uma criança.

As férias de verão também serviram para percebermos que são demasiados os pais que delegam no telemóvel a função de entreter e educar, enquanto não chega a hora de voltar à escola.

Portanto, no arranque deste ano letivo, estes mesmos encarregados de educação não devem responsabilizar nem os professores nem a escola pelo mau comportamento ou insucesso dos filhos. As escolas têm de ajudar os pais, é certo. Mas não podem assumir a responsabilidade que deveria partir de casa.

Milhares de alunos regressam esta semana às aulas e só construirão um melhor futuro, para eles e para o país, se a comunidade educativa funcionar em pleno.

Valia também a pena que os atores políticos e sindicais tirassem um pouco do tempo que gastam nas lutas laborais e progressões na carreira para se debruçarem sobre o tema. Ficávamos todos a ganhar.

*Diretor-adjunto