Opinião

Imagine se...

John Lennon convidou-nos a imaginar que não existe mais nada além do Mundo em que vivemos. Convidou-nos a imaginar que nos tratávamos como iguais para podermos viver em paz. Convidou-nos a não sermos extremistas.

A letra de "Imagine", que fez ontem 50 anos, foi projetada em edifícios de vários países. Que oportuno foi. Não é necessário explicar por que razão o pedido do ex-Beatle continua tão atual e indispensável como na época da Guerra Fria. Mesmo entre aqueles que encontram no tema um manifesto anarquista, comunista ou entre os cristãos que não apreciam a rejeição do paraíso ou do inferno, é impossível não refletir sobre a preocupante atualidade da mensagem.

Nem que seja para homenagear Christine Lee Hanson. A menina que gostava do Mickey e que ia brincar com o símbolo da Walt Disney na Disneylândia. A bebé de dois anos e meio de Massachusetts que embarcou no voo 175 da United Airlines, o segundo avião a embater contra as Torres Gémeas, e que não pôde imaginar nem o Mundo de John Lennon nem nenhum outro. Nem que seja para homenagear as outras quase três mil vítimas do 11 de setembro, as que morreram nos terríveis ataques de Nice e de Paris, todas as outras que perderam a vida em atentados terroristas ou aqueles que agora ficaram para trás no Afeganistão.

Se "Imagine" continua atual é sinal de que os tempos passam e o ser humano não evolui no sentido da paz. Embora este seja o único sentido que faz sentido.

Reagindo à projeção dos versos da música em vários locais do Mundo, Yoko Ono, a viúva do cantor e também autora do tema, disse que ainda acredita. Reconheceu que essa esperança é tão importante agora como era na época em que a canção foi lançada. E não pode ser de outra forma. Só pode ser assim. Acreditar que ainda podemos imaginar.

*Diretor-adjunto

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