Não são apenas os problemas laborais nem as reivindicações legítimas que se arrastam no tempo. O método de contestar também é velho, está desgastado e tem uma eficácia restrita.
O problema não é protestar. O problema não é o conteúdo. É a forma. Quem planeia e organiza protestos teima em usar métodos passados para reclamar mudanças do futuro. O resultado é que, em vez de conquistar o que reivindicam, conseguem que a opinião pública não seja solidária. Tornam-se "spam". Pior, despertam, como no caso da Uber, o efeito Frankenstein.
A criatura vira-se contra o criador. A questão é: os protestos de rua ou as greves ainda exercem um papel positivo para o futuro de uma classe profissional ou para o país? As greves, os protestos, as reivindicações têm, também elas, de fazer um "upgrade". Alguns "players" tornaram-se autênticos profissionais do protesto, mas não se reinventaram. Quem sai a perder são mesmo as classes profissionais que estão a ser prejudicadas nos seus direitos e que têm toda a legitimidade para exigir justiça. Perdem porque o cidadão comum até se quer solidarizar com as causas, mas acaba por não criar empatia por se tornar um dano colateral.
É assim com os taxistas, com os professores, com os enfermeiros, com a CP. Os protestos são importantes. A greve é um direito e tem como objetivo claro forçar os políticos a agir. Mas o seu sucesso não pode ser medido por um número frio de adesão. Nem em tempo de antena, quando hoje em dia todos temos o tempo de antena que quisermos se o soubermos gerir e aproveitar.
A qualidade tem de ser melhor que a quantidade, sob pena de tornar o decisor ainda mais passivo à espera que tudo passe e volte à normalidade. Quando as redes sociais são de tal forma enérgicas que até conseguem eleger presidentes e "fazer Brexits", é tempo de mudar o "chip" da luta.
* SUBDIRETOR
