Opinião

Distintos cavalheiros

É uma paixão que não se explica. Um sentimento de liberdade plena, uma atitude constante de respeito e educação. Para muitos, é um estilo de vida, uma estética, uma cultura. Só para alguns, a máquina serve de símbolo marginal, criminoso e extremista.

Portugal não é só um país reconhecido pelo turismo e pelo futebol. A Concentração Internacional de Motos de Faro, que arrancou ontem a sua 37.ª edição, e a Concentração Internacional de Motos de Góis, que decorre de 15 a 19 de agosto, são dois encontros de reconhecimento europeu e que também prestigiam o país. O recente caso que resultou na detenção de 59 membros do grupo Hells Angels não pode ser associado a uma comunidade rodoviária que até se caracteriza por princípios solidários. O evento The Distinguished Gentleman"s Ride é um dos exemplos.

Em setembro, os distintos cavalheiros motociclistas doaram mais de 10 mil euros a favor da investigação e desenvolvimento de terapias para o combate ao cancro da próstata e para a prevenção do suicídio. Ao nível global, 93 mil participantes espalhados por 582 cidades de 92 países angariaram mais de quatro milhões de euros. Vestir de forma elegante, usar uma gravata ou um laço e montar uma moto foi a forma encontrada por este movimento para contrariar o estereótipo muitas vezes negativo associado aos motociclistas. Os movimentos solidários estendem-se, de resto, a um sem-número de motoclubes.

E num cenário de vingança e sangue entre gangues motorizados traçado pelas autoridades a propósito da concentração de Faro, esperava-se mais da Federação Portuguesa de Motociclismo, o organismo que representa todas as associações. Esperava-se que estereótipo de feios, porcos e maus fosse publicamente afastado da festa que, durante quatro dias, reúne mais de 25 mil pessoas para celebrar a amizade e a vida.

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