Opinião

Emigrantes merecem mais

Este será o último fim de semana em Portugal para milhares de portugueses que voltaram à terra para rever os seus familiares e amigos e celebrar o país que, na maioria dos casos, não foi capaz de lhes dar uma oportunidade de vida.

Quase todos os lares experienciam, neste período de férias, a alegria de um abraço aberto, de um sorriso sincero e da vozearia de uma refeição partilhada onde a etiqueta dá lugar à espontaneidade da alma. E quem vive estes momentos sabe o que representam. São estes instantes que tornam grande a palavra família e que, ano após ano, conseguem traduzir a palavra saudade.

Os emigrantes portugueses são mais de 2,2 milhões, segundo o último relatório da ONU. Seremos, assim, mais de 12 milhões de portugueses, excluindo os lusodescendentes. Respeito. E respeito porque, neste querido mês de agosto, foram mesmo muitos os posts e comentários ofensivos e maldosos que se escreveram nas redes sociais para ridicularizar os emigrantes. A crítica (inveja?) ora se focava nos carros de gama alta ora classificava o sotaque ou a pronúncia. É certo, sabemos, que as piadas não são novas. Só que desta vez assumiram uma espécie de bullying. Triste.

Os emigrantes portugueses merecem mais. Merecem mais da sociedade e da classe política, a começar pelo número de deputados que os representam. Não chegam as campanhas de apoio à Seleção ou as visitas de médico à diáspora. Mas também não se podem criar incentivos fiscais apenas para os emigrantes mais jovens e qualificados que pretendam regressar a casa. Somos poucos para sermos portugueses de primeira e de segunda.

No JN, fazemos a nossa parte. Desde junho dispomos de um canal online dedicado às comunidades portuguesas, fruto de uma colaboração com dezenas de jornais portugueses espalhados na Europa, EUA e Canadá.

Seremos um país mais forte e eficaz quando todos tivermos a força e a resiliência daqueles que um dia resolveram partir para sobreviver.

* SUBDIRETOR