Opinião

Je suis Google

Esta semana voltaram os maus, aqueles que espiam os computadores e os smartphones e leem os emails dos bons. Desta vez, depois do escândalo que levou o "pai" do Facebook a ser obrigado a desculpar-se, perante senadores e eurodeputados, sobre o ataque à privacidade de todos nós, as virgens ofendidas voltaram-se para a Google. "Engenheiros que desenvolvem aplicações para a tecnológica têm acesso às nossas mensagens de email trocadas através do Gmail", denunciou uma empresa ao "The Wall Street Journal".

"Sabemos que lo deseas Manuel", diz-me um email acabado de cair, sugerindo-me também férias em Punta Cana, acompanhado de um convite para reservar dois bilhetes para o concerto de Shakira, a 18 de outubro, na República Dominicana. Ninguém se preocupa quando lhe surgem anúncios no computador, na (con)sequência do que foi pesquisado minutos antes na grande rede. Nem tão-pouco se questiona com a gratuitidade dos serviços que usa?

Por isso, os mesmos que se insurgem contra quem supostamente os espia esquecem-se ou ignoram o óbvio: só estamos seguros fechados em casa e sem acesso à oitava maravilha do Mundo. Off, completamente off!

A Google foi célere a responder à polémica da recolha de informações dos seus utilizadores. Admite que algumas aplicações podem aceder aos nossos dados, que, note-se, até damos consentimento, e assegura a confidencialidade dos emails. Esperemos, ao menos, que agora não seja ridiculamente questionada por um qualquer político sobre qual o seu modelo de negócio, à semelhança da pergunta confrangedora colocada a Mark Zuckerberg por um senador.

A polémica do uso indevido de dados será, contudo, como o movimento "Je suis". Só terá impacto uma vez. Mas também ninguém vai colocar o "G" da Google na sua foto de perfil.

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