Opinião

Parentes pobres das escolas

Uma escola não se faz de alunos e professores. Também não fica completa sem os pais. Mas enquanto todos não valorizarem devidamente a categoria dos assistentes técnicos, com a dignidade e o respeito que merecem, nunca teremos uma verdadeira comunidade educativa.

Os auxiliares têm sido, sistematicamente e ao longo dos anos, o parente pobre do sistema. São poucos, insuficientes, desempenham tarefas que garantem o funcionamento dos estabelecimentos de ensino e não têm os sindicatos a defendê-los da mesma forma que o fazem por outras classes profissionais.

Em contagem decrescente para o início do ano letivo, o Ministério da Educação contratou mais de 500 assistentes técnicos. Vão trabalhar menos de quatro horas diárias e vão receber 3,82 euros por hora.

Se já é grave, mau exemplo e imoral, o Estado contratar precários, como é possível garantir o normal funcionamento das escolas com medidas destas? Infelizmente, a escola não é um lugar seguro. É a própria UNICEF que o afirma. Metade dos alunos, em todo o mundo, passa por situações de violência nos estabelecimentos de ensino.

É, pois, com preocupação que os pais devem encarar o início de um novo ano. Já bastava o cenário de greves dos professores. Já chegava a confusão com os vouchers para os manuais e o atraso nos novos descontos dos passes. E esperemos, tal como a secretária de Estado adjunta e da Educação garantiu, que o ano letivo não arranque sem videovigilância em mais de mil escolas do Ensino Básico do 2.o e 3.o ciclos de todo o país. Mas também, se tal acontecer, não há problema. É que, segundo o Ministério de Educação, a situação não põe em causa a segurança das escolas uma vez que a monitorização de imagens só é feita após o encerramento dos estabelecimentos letivos. Traduzindo: no fim das aulas e com a escola fechada, os alunos nunca criam problemas. Ou melhor, se os criam já não é da responsabilidade da escola. Alguém que a assuma.

*SUBDIRETOR