Opinião

Prova dos nove

Não é fácil combater o desencanto com os partidos tradicionais, espalhado por essa Europa fora e que resultou no nascimento de uma série de novas forças políticas e movimentos. Será certamente ainda mais difícil convencer aqueles que estão seguros de que o seu voto pode fazer a diferença quando não se apresentam projetos claros que resolvam os problemas reais das pessoas. Mais difícil ainda quando os protagonistas não escondem que há muitas maneiras de "esfolar um gato".

D21, Volt e Aliança vão tentar singrar na política portuguesa. Se com os dois primeiros ainda se podem criar expectativas, com o terceiro nem isso.

Santana Lopes tem agora uma Aliança. Mas com quem se vai casar? Numa altura em que os portugueses se distanciam cada vez mais dos políticos, empurrados por uma série de trapalhadas e escândalos, será que, no momento de depositar o boletim de voto na urna, algum eleitor o levará a sério sem pensar que, tal como outros, tem um problema com o poder ou a falta dele? Ou com ambos?

Já tinha avisado que ia andar por aí, não sabíamos era como. Agora já. O que não sabemos é que caminho quer fazer. Fragmentar o PSD? Conseguir 116 deputados para o conjunto do centro-direita? Chegar novamente ao poder se António Costa precisar, por exemplo, de 5% dos votos para uma maioria governativa? Na verdade, serão até poucos os eleitores que vão perder tempo com estas questões.

Santana Lopes não se pode queixar de ter tido pouca intervenção cívica e política. Não conseguiu ser o primeiro de um partido grande e recolhe agora assinaturas para uma Aliança que se diz de centro-direita, social-democrata, personalista, liberalista, solidária e europeísta. São muitos conceitos, mas pouca substância.

É que há muitas alianças, mas nem de todas sai casamento.

*SUBDIRETOR