Opinião

Não troque um like por um abraço

Não troque um like por um abraço

Quando à meia-noite brindar ao Ano Novo, olhe à sua volta e conte quantos familiares ou amigos estão de cabeça para baixo focados nos smartphones que os ligam à "vida".

Quantos, nesse momento, ficarão mais felizes com um "like" do que com um abraço? Quantos perderão o momento para fazer uma "instastory"? Provavelmente mais do que todos desejam.

Cabe-me escrever a última crónica do ano e, por isso, queria fechar com chave de ouro recordando o melhor de 2018. Mas, tal como os que no Ano Novo estarão colados aos telemóveis, também 2018 foi, mais uma vez, marcado pela Internet, a rede que mudou a nossa identidade. Antes no computador, agora no mobile.

É através dela que estamos a escolher a palavra do ano. "Assédio", "enfermeiro", "especulação", "extremismo", "paiol", "populismo", "privacidade", "professor", "sexismo" e "toupeira" são as candidatas. Já antes, os dicionários Oxford elegeram o vocábulo "tóxico" como a palavra do ano, termo selecionado por descrever as "preocupações" atuais. E foi aqui que me retive. Nas preocupações das pessoas. O que as preocupa hoje?

Os que as preocupa já não é apenas o desemprego, os salários que não crescem, as greves e a instabilidade económica. É também, quase ao mesmo nível, a falta de Wi-Fi, a falta de bateria e a falta de "likes".

Entramos num novo ano mais conectados, a caminho de um futuro mais tecnológico, com todas as indiscutíveis vantagens que a inovação nos oferece. E isso é bom. Mas entramos em 2019 cada vez mais isolados, mais individualistas. A viver mais no mundo virtual, com um entusiasmo frenético pelas redes sociais. Confundindo a verdade com a mentira. Confundido as pessoas e as prioridades.

Que 2019 nos traga sucesso, mas também nos traga mais maturidade social para voltarmos a recentrar o Mundo no que é mais importante: o equilíbrio entre a rede e as pessoas.

*DIRETOR-ADJUNTO