Opinião

Portugal de colete atado

Portugal de colete atado

O que ocorreu em França e que remeteu Macron para uma espécie de menino da lágrima, disposto a aceitar tudo para não transformar o país num faroeste europeu, poderia ter acontecido em Espanha se o primeiro-ministro não se tivesse antecipado. Antes de ver "chalecos amarillos" a queimar carros na Gran Via, já tinha anunciado o aumento do salário mínimo.

Cá dentro, também foi anunciado um aumento do ordenado mínimo de 580 para 635 euros para a Função Pública e de 600 para o setor privado. Ninguém bateu palmas. Nem os trabalhadores do Estado que levam mais uns trocos.

E é por isso que ninguém pode ficar surpreendido com a notícia de que em Portugal o movimento "Coletes amarelos" esteja a organizar-se para no dia 21 parar tudo.

A convocatória não é só um sintoma de má governação. É também uma derrota da Oposição que não amola nem desassossega quem está no poder. De alguma forma já o tínhamos percebido durante as votações na especialidade do Orçamento do Estado com as chamadas maiorias alternativas. E agora quando vemos a Direita a repimpar-se nas greves e a Esquerda a criticá-las, pelo menos na forma, algo está errado na narrativa.

Por isso, a pergunta que se impõe é saber qual a cor de colete que os nossos partidos vão escolher? Convenhamos que rosas, vermelhos, laranjas e azuis parecem todos mofentos e incapazes de responder às reivindicações do povo.

Mas este colete que quer vestir o país no dia 21 também é sombrio e sobretudo perigoso. Se nasceu com boa intenção, aparentemente apartidário, já não está a conseguir livrar-se de uma conotação à extrema-direita. No esconderijo do WhatsApp, mensagens de cariz xenófobo não são um bom prenúncio.

Mas quem não esteve atento aos sinais e dedicou-se às touradas da vida política não pode agora dizer que não sabia nada!

Diretor-adjunto

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