Opinião

Tome lá um prémio milionário

Tome lá um prémio milionário

Trabalhou bem, mesmo que numa empresa privada com capitais públicos cujos prejuízos, num ano, ultrapassaram os 100 milhões de euros? Tome lá um prémio milionário. Chegam 110 mil euros?

A conclusão que se retira da atribuição das polémicas recompensas na TAP é simples: cada um faz o que quer com o dinheiro de todos. O que, diga-se, já nem é surpreendente. Como não é de admirar que o Governo não saiba de nada. Com Tancos foi igual.

Portanto, já se torna quase uma tradição não saber de nada, não ver nada, não ouvir nada. Agora, ficamos igualmente a saber que os administradores da TAP indicados pelo Estado sofrem de um mal parecido. Desconheciam, dizem, os prémios no valor de 1,2 milhões de euros atribuídos a 180 trabalhadores da empresa, incluindo dois quadros superiores que receberam mais de 110 mil euros cada um.

Não chega que António Costa considere o programa de distribuição de prémios da TAP "incompatível com os padrões de sobriedade" que devem existir em empresas participadas pelo Estado. E muito menos que a Comissão Executiva justifique o bónus como uma estratégia "fundamental" para os resultados atingidos em 2018. Pior, que venha dizer, depois do puxão de orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa, que houve um mal-entendido. Não sobre o número de beneficiários e montantes pagos, mas por não ter informado o Conselho de Administração relativamente ao universo e valores.

Hoje é Dia de Portugal. E os portugueses merecem mais do que discursos iguais a outros tantos que já foram escritos e ditos neste dia. Merecem que quem tem o dever de os proteger, e gerir os seus impostos, não faça sempre o papel de "marido traído": o último a saber. Merecem ter motivos de sobra para sentirem orgulho no país.

O que todos nós queremos é menos Tancos, menos prémios em empresas de capitais públicos que dão prejuízo, menos Berardos e um bocadinho mais de idoneidade e respeito.

Diretor-adjunto