Opinião

Volt(a) Europa

Será o Volt uma espécie de Uber da política que traga para o espetro político inovação, limpeza, simpatia, respeito, mas sobretudo que limpe o mofo, a corrupção, a clientela viciada e apresente uma ideologia clara? Se a eventualidade de um novo partido criado em Portugal por Santana Lopes parece uma piada, já este projeto pan-europeu merece, pelo menos, uma reflexão cuidada.

O arranque é promissor. Surgiu como uma página de Facebook a 20 de março de 2017, data em que o Governo britânico notificou a saída do Reino Unido da UE, e para se financiar recorre apenas a crowdfunding. Ao contrário de outros movimentos que encontram nas redes sociais o seu palco, este é constituído por jovens que escolheram sair do sofá e concretizar objetivos. Vai concorrer às próximas eleições europeias e quer eleger pelo menos 25 eurodeputados de sete países. Já reconhecido na Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha e Holanda, hoje será também declarado como partido político italiano. Em Portugal, começa a fazer o seu caminho e iniciou o processo das 7500 assinaturas necessárias para que possa legalmente constituir-se como partido político.

Mas não chegam as boas intenções e conceitos liberais genéricos nem desejar apenas um Mundo de paz, impostos mais justos, uma cultura para todos, combater os nacionalismos e lutar por uma Europa mais unida, democrática e solidária.

Afirmar-se como um partido de Centro num tabuleiro político que se move de forma vertiginosa nos últimos tempos, onde a extrema-direita cresce e os partidos tradicionais perdem terreno, pode ser uma boa estratégia para piscar o olho aos descontentes, reconciliar jovens com a política e até acolher os "Santanas Lopes" desta vida. No entanto, não basta autoproclamar-se de Centro. É preciso conhecer mais. É preciso pôr em cima da mesa porque devemos ser Volt.

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