Opinião

Lentos a usar e a não usar máscara

Lentos a usar e a não usar máscara

Discutir quando vamos deixar de usar máscara não faz sentido. O vírus vai continuar por aí. Enquanto uma boa parte do Mundo continua por vacinar, não sabemos com que variantes teremos de lidar.

Discutir quando vamos deixar de usar máscara ao ar livre, desde que seja respeitado o distanciamento, também não faz. Não faz porque a sua obrigatoriedade já deveria ter sido revogada. Ainda não foi porque estamos à espera de uma decisão política.

Vejamos este cenário. Quatro concertos ao ar livre, 400 lugares sentados, com distanciamento de dois metros entre cadeiras. Ao lado, uma pequena zona de alimentação, com três rulotes e bancos corridos. Dois equipamentos sanitários, mais um para pessoas com deficiência.

No relvado, os espectadores não podiam comer. Mesmo sentados e distanciados entre si, também estavam impedidos de beber. No recinto, com distanciamento, a assistência tinha de permanecer com máscara.

Os resilientes organizadores deste tipo de eventos estavam a cumprir as regras impostas pela DGS. As mesmas regras que chamavam, metros ao lado, os espectadores para se colarem em filas antes de se avizinharem para comer e beber.

O cenário foi exatamente esse, o mesmo que se irá repetir ainda este mês em outros eventos com esta tipologia.

O país foi lento a adotar a obrigatoriedade do uso de máscara social na rua. Só o fez depois de muito ruído de médicos, autarcas e peritos. Depois de a Madeira e vários países europeus o terem feito.

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A lentidão repete-se. Agora em sentido inverso. Alguns países europeus aliviaram a medida e vários peritos portugueses também já defenderam que, de acordo com a evolução da vacinação, se devia abandonar a obrigatoriedade do uso de máscara na rua.

A lei, aprovada pela primeira vez a 27 de outubro do ano passado e renovada duas vezes, está em vigor até dia 12. A decisão de renovar ou não é do Parlamento. Será, portanto, uma decisão política e não científica. Uma decisão que tarda e que, enquanto não for tomada, alimenta o ridículo.

*Diretor-adjunto

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