Opinião

Lisboa em bolha só de fim de semana

Lisboa em bolha só de fim de semana

Em Lisboa não ficou tudo na mesma. Ficou quase tudo na mesma. O Governo decidiu ontem proteger o país da vaga de contágios de covid-19 que assola a capital.

Nas palavras da ministra Mariana Vieira da Silva, está a tentar "não alargar para o resto do território a dinâmica que existe na Área Metropolitana de Lisboa".

Reconhece-se o esforço. Os portugueses provavelmente estão agradecidos. Apenas não percebem. Não percebem porque é que a proteção é limitada ao fim de semana. Concretamente, a partir das 15 horas de sexta-feira até às 6 horas de segunda-feira. A ministra explica: "em vez das exceções, devemos concentrar-nos em cumprir as regras". E também não é fácil perceber o alcance da proibição de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa. A ministra também explica: aplica-se à AML "como um todo" e não aos "concelhos que a compõem". Simplificando, é possível viajar entre os 18 municípios que compõem a AML, onde vive 30% da população do país.

É com esta espécie de bolha ou cerca sanitária que o Governo responde aos alertas unânimes dos vários especialistas que pediram restrições para a região já esta semana, perante o aumento do número de novos casos e do aumento do número de internamentos. Note-se que Lisboa regista dois terços dos novos casos covid em Portugal e que 60% dos internamentos em todo o país estão em Lisboa e Vale do Tejo.

Em conclusão, Lisboa não recua (ainda) no desconfinamento e António Costa não fica mal na fotografia, depois de ter dito que a capital terá o mesmo tratamento que os outros concelhos em função da matriz de risco da covid-19 (é preciso que se mantenha acima de 240 novos casos por 100 mil habitantes por 15 dias seguidos para que haja um retrocesso no desconfinamento).

Resta esperar que esta bolha na AMP seja suficiente para evitar um cocktail explosivo de contágio em todo o país.

*Diretor-adjunto

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