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Não é preciso pedir desculpa

Não é preciso pedir desculpa

Rochele Nunes, não desiludiste Portugal. Antoine Launay, não tens de pedir desculpa ao país. Mais importante que medalhas, é sair dos Jogos Olímpicos sem casos de doping, sem casos de assédio, sem escândalos. Esses, sim, seriam motivos para pedir desculpa.

O que os nossos atletas têm feito em Tóquio só nos orgulha. Historicamente, é mais difícil pedir desculpa do que agradecer. Sobretudo porque uma desculpa está sempre associada a um momento de derrota, desolação ou erro. Mas porque é que um desportista que consegue chegar onde muito poucos chegam tem de pedir desculpa porque ficou em quinto ou em décimo lugar? Ser quinto nuns Jogos Olímpicos é ser o quinto melhor do Planeta. Não é para qualquer um.

A saúde mental, associada à competição e à pressão de vencer, ganhou nestes Jogos uma medalha especial, a medalha de trazer para o debate um tema tabu.

É certo que cada vez mais todos esperam que os filhos se tornem o novo Cristiano Ronaldo. Há crianças que abandonam a prática desportiva devido ao excesso de expectativas. Há treinadores que se dirigem aos pais nas bancadas a pedir-lhes calma.

O caso de Simone Biles e as descargas emocionais da judoca Rochele Nunes e do canoísta Antoine Launay não servem só para refletir sobre a cobrança excessiva imposta aos atletas de alta competição. Servem para dar visibilidade a problemas que, em casos extremos, acabam em trágicas depressões. Vivemos tempos em que os desafios à nossa sanidade mental são agressivos. Constantes. Impiedosos.

Para os atletas, para os cidadãos comuns. Num Mundo que nos coloca em situações de tudo ou nada, de vencer ou perder, em que desligar do trabalho, dos telefones, dos emails, dos tweets e dos likes é praticamente impossível, todos nós precisamos de repensar a forma como tratamos da nossa saúde mental, sob a pena de termos uma sociedade em permanente stresse, perto de um estado de burnout.

*Diretor-adjunto

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