Opinião

O Dumbo já não é racista 

O Dumbo já não é racista 

Os desenhos animados do Dumbo, de 1941, podem conter estereótipos raciais. Sim, o Dumbo pode ser racista.

O aviso é da Disney e alerta os fãs mais sensíveis para o que vão ver. Clássicos de sempre, como os Aristogatos ou o Livro da Selva, têm "representações culturais desatualizadas" e o novo serviço online da companhia norte-americana não arrisca ser acusado de racismo na aventura que iniciou agora nos serviços de streaming. É que, nesta época de "digitania" na caixa de comentários, dada mais à revolta por tudo e por nada do que à moderação e reflexão, a hipótese era bem provável. Encontrar as palavras certas e usar o bom senso pode ser já tão difícil como acertar na chave do Euromilhões, face ao jogo do politicamente correto que vivemos.

Que o diga Bernardo Silva, acusado de racismo por ter comparado Mendy, colega no Manchester City, à figura representativa dos chocolates Conguitos. Uma piada que não caiu bem entre os internautas e que valeu ao internacional português um jogo de suspensão como castigo. Bernardo Silva bem se desculpou. Disse que estava a brincar com um amigo. Apagou a piada das redes sociais. Mas não adiantou. Se Bernardo Silva se lembrasse que hoje é melhor atirar o peixe ao gato em vez do pau, certamente não teria publicado a graça.

Será que esta cultura e pedagogia do politicamente correto deu ou dará resultados? Estaremos a exagerar?

A resposta é difícil. Quando uma adolescente muçulmana é impedida de jogar basquetebol em Portugal, por não querer mostrar os braços, percebe-se que certamente nenhuma criança irá filosofar sobre as letras das músicas infantis e que há muita gente crescida que ainda tem de aprender a não discriminar.

Mas enquanto assistirmos a discursos políticos abertamente racistas, será quase impossível encontrar a razoabilidade. E assim continuarão a chegar avisos como o da Disney.

Diretor-adjunto