Opinião

O filtro racial

Há agentes da PSP racistas? Provavelmente. Há portugueses racistas? Com certeza! Nem é preciso muito esforço para perceber que sim.

A quem ainda subsistir uma pequena dúvida que seja, basta ler os comentários nas redes sociais sobre a notícia da mulher que apresentou uma denúncia contra um polícia que a deteve violentamente, na Amadora, para ficar esclarecido. Até aqui, não há, na verdade, grande novidade. A originalidade assustadora e revoltante foi mesmo um sindicato da PSP ter-se assumido como uma organização extremista. Só lhe faltou enfiar o barrete pontiagudo do Ku Klux Klan.

É que só assim se pode interpretar o post que o Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública divulgou após o caso, acompanhado de fotografias do braço do agente mordido. "Foi neste estado em que ficou hoje o colega, ao intervir numa ocorrência na Amadora. As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a doenças graves. Contudo, a defesa da cidadã está a começar a ser orquestrada pelo ódiomor de brancos. Está tudo bem, não se passa nada", leu-se na publicação do sindicato dirigido por Ernesto Peixoto Rodrigues, agente que foi alvo de uma pena disciplinar de aposentação e que fez parte da lista do Basta!, que nas eleições europeias de maio teve como cabeça de lista André Ventura.

Uma classe profissional que atravessa dificuldades e luta por melhores condições de trabalho não pode ser posta em causa por estes sindicatos, que perante a opinião pública representam todos e não uma ínfima parte. A PSP não pode deixar eclipsar-se negativamente por estes organismos ou movimentos sem rosto, que, em nome dela e atrás de interesses políticos, destroem uma imagem de maior proximidade com o cidadão que tem sido bem construída nos últimos anos. O Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública não defendeu os seus. Colocou um filtro racial na PSP.

Diretor-adjunto

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