Opinião

O país não sabe. Mas devia

O país não sabe. Mas devia

Há quase dois anos escrevi que a primeira-ministra da Nova Zelândia renovava a nossa esperança na classe política. Jacinda Ardern tinha dado uma grande lição na reação ao pós-ataque às mesquitas neozelandesas, que matou 51 pessoas. Não pediu vingança. Agnóstica, usou um véu para fazer o luto com os muçulmanos.

Mãe, "influencer" e política, é uma mulher admirada no seu país e fora dele. A sua capacidade de mostrar o seu lado mais humano já lhe valeu o título de primeira-ministra do Facebook.

E como é que estas qualidades influenciaram o combate à covid-19 na Nova Zelândia, que se tornou um caso de sucesso mundial no controlo das infeções? Simples. Soube comunicar. Não foi contraditória. Não baralhou. Não hesitou.

É verdade que a geografia e a demografia minimizaram a pandemia. Como também é verdade que o país entrou em "lockdown" antes de registar qualquer morte. Ao lema "combata rápido e combata cedo" foi associado um plano claro e simples de quatro níveis de alerta e as movimentações entre os cidadãos foram monitorizadas digitalmente através de QR code, o que possibilitou a rápida identificação de casos. Em Portugal, discutia-se a invasão de privacidade da app StayAway Covid.

Os neozelandeses não fizeram, portanto, muitas perguntas. Não precisaram. Nem quando dois milhões de habitantes de Auckland foram colocados em confinamento após a deteção de apenas três casos positivos numa família. Estava tudo previsto.

Por cá, também deve (ou devia) estar tudo prognosticado. Só que o país, farto da pandemia, não sabe, mesmo que o Governo perceba que os portugueses deixarão o confinamento antes de ele acabar. Basta estar atento.

Não chega afirmar que continuamos confinados, é preciso dizer qual o caminho e como o percorrer, mesmo considerando que, até chegar à meta, tudo pode mudar.

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Na Nova Zelândia a informação foi atempada, credível e clara. Em Portugal, não. Mas devia.

*Diretor-adjunto

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