Opinião

O tempo dos estúpidos

O tempo dos estúpidos

A incerteza de viver numa época governada por idiotas faz temer os tempos vindouros. Não porque a democracia vai acabar, como muitos vaticinaram, mas porque há eleitores a colocar no poder pessoas inaptas para as funções para as quais foram eleitas.

Jair Bolsonaro está irritadiço. Mas a paciência de todos nós, especialmente a dos cidadãos brasileiros, está a atingir os limites. Até quando vão carregar o presidente que elegeram? O pulmão da Terra está a arder, e, tal como noutras situações tragicamente conhecidas, a culpa nunca recai sobre quem tem responsabilidades governativas. A narrativa é mais ao menos conhecida. Fenómenos naturais e mãos criminosas são os argumentos que nos vendem na tentativa de isentar erros, incúrias e negligências. Jair Bolsonaro escolheu, desta vez, o argumento mais estúpido de que alguém se poderia lembrar para sacudir a água do capote no que diz respeito aos fogos na Amazónia. Acusa as organizações não governamentais de atearem fogo à floresta devido aos cortes de financiamento público. "Perderem a teta deles", diz.

Quando os números provam (aumento de 83% dos incêndios num ano) que a política ambiental brasileira favorece os proprietários de terras e a exploração mineira e agrícola, Jair Bolsonaro não só ameaça a maior floresta tropical do Mundo. Ameaça cada um de nós.

Depois do amuo de Donald Trump, que cancelou a visita à Dinamarca por não lhe venderem a Gronelândia, e do extremista Matteo Salvini, que deixa milhares de migrantes dentro de um barco e força a queda do Governo italiano, Jair Bolsonaro mostra-nos que provavelmente nunca tivemos tantos líderes de índices cognitivos e humanos tão inferiores à média.

Estes novos dirigentes mundiais podem não ser o "demónio de calças", mas o facto de em cada cinco frases apenas meia fazer sentido revela um mundo cada vez mais queimado.

*Diretor-adjunto