Opinião

Partidos com rede

A lei que permite aos animais de companhia poderem, a partir de maio, acompanhar os donos em restaurantes devidamente sinalizados, materializa a força e influência que os movimentos de defesa da vida animal têm nas redes sociais.

A aprovação do diploma, na semana passada, por unanimidade, a partir de projetos do Partido Ecologista "Os Verdes", partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Bloco de Esquerda, foi o culminar de longo caminho, mas mostra também que o país político anda muita vezes distraído e distante de convicções e tendências que encontram nas plataformas digitais o seu espaço de discussão e afirmação.

Na verdade, este é um exemplo em que, quando uma corrente de opinião encontra o palco ideal para difundir-se na sociedade, de forma célere e gratuita, a reação política acaba por chegar. Neste caso, já tarde e sem surpresa.

Os movimentos pelos direitos dos animais são um caso sério. Cedo perceberam que a influência nos espaços de decisão do poder público não passa apenas pelos órgãos de comunicação tradicionais.

Aliás, o sucesso do partido dos animais ficou rapidamente espelhado no Facebook e, ainda hoje, é curioso verificar que tem mais "amigos" do que o próprio Partido Socialista, 139 mil contra 60 mil.

Numa época marcada pela desinformação, pelas "fake news" e pelos conteúdos de consumo rápido, partidos políticos, governantes e instituições têm, portanto, de fazer mais e melhor neste terreno onde também se forma a opinião pública e se faz, na verdade, política.

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Não basta ter presença no Facebook, no Twitter ou no Instagram - há políticos com mais do que uma conta na mesma plataforma -, nem apenas partilhar selfies ou publicar vídeos esporádicos no Youtube.

Saber que se consegue um maior envolvimento político dos cidadãos e que existem novas vozes no debate público, mesmo percebendo que muitas delas são irracionais e irredutíveis, não é negar a política. As discussões travadas nas redes sociais não podem ser consideradas menos importantes.

A interação virtual tornou-se a principal forma de comunicação e é o principal palco para o confronto de ideias.

* SUBDIRETOR

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