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Políticos com e sem cabeça

Políticos com e sem cabeça

Esta semana ficámos a perceber que há três espécies de políticos, a saber: os que pensam pelas suas próprias cabeças, os que pensam pela cabeça dos outros e os que não pensam.

Ana Gomes está entre os primeiros. Depois de Carlos César ter demarcado o PS dos comentários que a ex-eurodeputada fez sobre a transferência de João Félix, respondendo a um pedido de esclarecimento escrito do Benfica, aquela que tem sido uma das vozes a defender Rui Pinto explicou ao presidente socialista que não "abdica de dar uso à cabeça. Não sou apparatchik", disse.

Ora, ao usar o termo que caracterizava os funcionários zelosos do Partido Comunista da antiga URSS, Ana Gomes não deixa margem para dúvidas sobre a existência de políticos que pensam pela cabeça dos outros. Estes são, no fundo, também uma espécie de "cartilheiros", empenhados em defender teses coletivas ate à exaustão, mesmo que recorram à manipulação. Na reação à polémica das golas antifumo, os últimos dias exibiram alguns.

Não parece haver grandes dúvidas de que há cartilhas nos clubes, nas empresas e noutras organizações. Mas, na política, seguir guiões cegos, mesmo que toda a população esteja de olhos bem abertos, tem outra gravidade. E generaliza o descrédito nos políticos, em alguns casos de forma injusta.

Restam os políticos que não pensam. Existem e chegam ao topo da hierarquia e a lugares de responsabilidade governativa. Só assim se pode classificar quem não encontra qualquer problema nos kits inflamáveis distribuídos à população. Só assim se pode perceber que, numa tentativa de controlar danos, se peça a um porta-voz da Proteção Civil para argumentar que as golas podem ser usadas mas apenas em casos de fugas rápidas!

Há muito em que pensar. Felizmente, a maior parte dos portugueses tem mostrado pensar pela própria cabeça. Em outubro, quando chegar o resultado eleitoral, tiraremos todas as dúvidas.

*DIRETOR-ADJUNTO

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