Opinião

Será suficiente para termos Natal?

Será suficiente para termos Natal?

Esta semana poderão ser anunciadas mais medidas de combate à expansão da covid-19. Tendo em conta que nos últimos dias 67% dos novos casos tiveram origem, segundo a Direção-Geral da Saúde, em convívios familiares e em festas de jovens universitários, um dado é certo: é impossível legislar sobre o que se passa dentro da casa de cada um de nós.

Assim, numa altura em que os números de novas infeções fazem soar todos os alarmes no setor económico e no Serviço Nacional de Saúde, e afastada que está a hipótese de um novo confinamento, percebem-se os apelos insistentes do Governo e da Presidência da República à responsabilidade pessoal. Será suficiente para termos Natal? A ideia que fica é que não. O regresso às aulas e o cansaço que a pandemia impôs às pessoas não explica tudo e é evidente que, um pouco por todo o lado, se percebe que o relaxamento quanto à prevenção aumentou. Festas em discotecas interrompidas, espaços de restauração sem o distanciamento obrigatório entre mesas ou confraternizações na via pública estão à vista de todos.

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Não causará qualquer surpresa, portanto, que o uso da máscara social passe de uma recomendação a uma obrigatoriedade em todos os espaços abertos, com as devidas exceções, ou que os horários e a lotação de restaurantes, cafés e outros espaços comerciais sejam de novo revistos. Porém, antes de serem divulgadas mais restrições, há muito para afinar. Não apenas nos processos técnicos, como melhorar a rapidez dos resultados dos testes e a identificação dos contactos com casos positivos, de forma a controlar as cadeias de transmissão, mas também na pedagogia e na uniformidade das medidas. Até para que os portugueses não fiquem ainda mais confusos, sob pena de o desleixo nos cuidados sanitários essenciais para prevenir a doença aumentar.

*Diretor-adjunto

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