Opinião

Sozinho no ecrã

Sim, é verdade. O seu filho está demasiado tempo em frente a um monitor, exposto a crimes cibernéticos, ao vício de videojogos e a comportamentos sexuais online. Está a fazer tudo para o proteger? Não. Mas não assuma a culpa sozinho.

O Instituto DQ, um organismo que se dedica a melhorar a educação digital , analisou os hábitos de 34 mil crianças em 29 países e constatou que mais de metade dos jovens entre os 8 e os 12 anos estão sujeitos a ameaças quando utilizam plataformas digitais. Mais de metade (56%) está exposta a pelo menos uma ameaça ligada à Internet. Mas o número mais alarmante diz respeito às horas que as crianças passam sozinhas em frente ao computador ou ao smartphone: 32, mais tempo do que passam na escola.

O cidadão digital começa, no entanto, a ser formado ainda mais cedo, bastante mais cedo. 38% das crianças dos 3 aos 8 anos já acedem à Internet. 22% entre os 3 e 5 anos e 62% entre os 6 e 8 anos.

São, portanto, necessárias ações concretas dos governos, da indústria e da sociedade civil para ajudar os pais a combater as ameaças enfrentadas pelos mais jovens sobretudo nas redes sociais e nas aplicações de messaging, que facilitam o contacto e a interação.

A disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) tem de chegar mais cedo às escolas e tem de ser inevitavelmente reajustada. Tito de Morais, fundador de MiudosSegurosNa.Net, alerta, por exemplo, que as crianças recebem formação sobre redes sociais em TIC no 8.º ano. No entanto, usam-nas desde os 7 ou 8 anos. Isto é, já estão presentes nas redes há 7 ou 8 anos quando começam a receber formação.

Não se entende também que o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, a ser adotado por todos os estados-membros da União Europeia em maio, estabeleça que os jovens menores de 16 tenham de obter consentimento parental para acederem aos serviços da sociedade da informação. Esperemos que o Governo português estabeleça, em resultado da consulta pública que está a realizar, uma idade inferior para esse consentimento, o que está previsto no Regulamento desde que seja salvaguardado o limite mínimo de 13 anos. Caso contrário, continuaremos a incentivar os nossos filhos a mentir quando criarem uma conta numa rede social, no Youtube ou num blogue.

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A si, cabe-lhe não ser apenas mais um ativista de sofá...

* SUBDIRETOR

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