Opinião

Testes gratuitos para honestos

Testes gratuitos para honestos

Apesar de parecer existir um certo divórcio entre os governantes e os epidemiologistas sobre a forma de combater o aumento de casos covid, ninguém defende um recuo ou a necessidade de novas medidas restritivas.

É certo que estamos próximos ou perante uma sexta vaga da doença, mas a situação sanitária no país não é comparável com o passado. Não há registos de empresas a fechar, nem surtos preocupantes no ensino público ou privado.

Mas há mais infeções. Mas as urgências hospitalares registam um pico de afluência fora de época. Mas a linha SNS24 está sobrecarregada. É com base neste cenário que os médicos de saúde pública defendem o regresso dos testes rápidos gratuitos. Raquel Duarte, a pneumologista que lidera a equipa de peritos que aconselham o Governo sobre a pandemia, diz, por exemplo, que "devíamos continuar a testar" sob pena de perder "a noção do que está a acontecer na comunidade". Já a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública alega que sem testes gratuitos a pressão nos serviços de saúde aumenta.

Ontem, a ministra da Saúde respondeu às críticas. Entende que não há razão para repor os testes grátis nas farmácias e anuncia a prescrição automática dos testes gratuitos através da linha SNS24, mas só para quem tiver um autoteste positivo.

Em conclusão, os portugueses terão direito a um teste gratuito, mas antes terão de pagar um autoteste. Confia-se ainda na honestidade de quem liga para a linha automática e se regista como "positivo", garantindo o acesso ao teste gratuito.

O Governo conta, mais uma vez, com a ajuda de todos para ultrapassar esta fase de crescimento de casos. Já os portugueses não contam com uma pequena ajuda do Executivo de António Costa. E não parece que, tal como o Reino Unido fez, o autoteste seja distribuído gratuitamente em Portugal.

Não sabemos também quantas pessoas dispensam os serviços de saúde após terem testado positivo num autoteste, optando por uma autoquarentena. Fica a dúvida se o país consegue ter uma vigilância de qualidade quanto à evolução da doença.

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*Diretor-adjunto

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