Opinião

Trocar luzes de Natal por apoios

Trocar luzes de Natal por apoios

Nas vésperas de Portugal entrar em estado de emergência, que dá cobertura legal a mais confinamentos regionais e ao inevitável recolher obrigatório, uma decisão tomada por Ángeles Muñoz, presidente da Câmara de Marbella, Espanha, desperta a atenção.

Em vez de investir em iluminação de Natal, vai atribuir esse dinheiro, cerca de 700 mil euros, a empresas locais. É um pequeno pormenor, é verdade. Mas a decisão pode socorrer mais de dois mil empresários. É também uma resposta às ruas despidas de pessoas, face às medidas restritivas decretadas em Espanha, um dos países da Europa mais afetados pela pandemia. Já por cá, algumas câmaras municipais decidiram ligar as luzes natalícias muito mais cedo do que o habitual, de forma a antecipar as compras no comércio local.

Numa altura em que as previsões de outono da Comissão Europeia não deixam qualquer dúvida quanto à gravidade da crise, todas as iniciativas públicas e privadas para minimizar o descalabro económico são de saudar. Como, por exemplo, a proposta da Associação da Hotelaria de Portugal, que pediu ao Governo que permita ampliar a sua atividade, passando as unidades a ter outras utilizações comerciais, além do alojamento de turistas e de estudantes. Sem hóspedes, os hotéis querem poder prestar serviços de escritório, disponibilizar espaços de cowork, além de poderem servir como centros de dia ou residências assistidas.

O maior presente de Natal que muitos desejam é simples: salvar negócios, empresas, postos de trabalho e em simultâneo resguardar a sua saúde e dos seus. Com ou sem luzes, este ano o Natal será muito mais sombrio que luzidio. Aos governantes caberá gerir o difícil equilíbrio entre o que os portugueses podem e não fazer, de forma a não asfixiar o SNS. Podem dar grandes passos, como declarar o estado de emergência, mas não devem esquecer os pequenos, como o de Ángeles Muñoz.

*Diretor-adjunto

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