Opinião

Contradições que desmentem… Costa

Contradições que desmentem… Costa

1. O país entrou esta semana, de novo, em regime de contingência pandémica. A abertura do ano letivo, a intensificação da mobilidade, e o crescendo de novos casos de infeção obrigaram o Governo a apertar a malha das restrições. O objetivo é prevenir o controlo de danos sanitários, já que as gripes sazonais do outono e inverno são uma ameaça para o Serviço Nacional de Saúde.

António Costa assegura que o SNS foi robustecido, mas tanto as ordens profissionais como os sindicatos dizem que estamos muito longe do necessário. E qualquer cidadão que precise de uma consulta num centro de saúde sabe o calvário que tem pela frente. E se for a um serviço hospitalar vê com os seus olhos as deficiências do sistema. Por isso, só há razões para esperar o pior.

2. E se a proteção da nossa saúde é tão frágil, a crise económica e social cresce todos os dias a ritmos assustadores. Já ninguém consegue esconder isto, e o próprio Governo começa a preparar os cidadãos para um período muito negro. O crescimento do desemprego, a precariedade laboral, e a redução dos rendimentos estão a atirar milhares de pessoas para o desespero. Os números não enganam.

É certo que a esperança das ajudas de Bruxelas mantém muita gente na ilusão. Mas também aqui estamos perante uma realidade muito longínqua, já que o efeito real desses dinheiros na economia vai demorar muitos meses a ser sentido na carteira dos portugueses. E quando começarem a chegar as primeiras tranches ninguém sabe como esses fundos serão aplicados para serem reprodutivos.

3. Resta, por isso, a grande incógnita sobre quem vai chegar primeiro à boca dos cofres. Que o mesmo é dizer, em linguagem popular, quem vai ter acesso ao pote. A avaliar pelo plano Costa Silva, as prioridades vão para o investimento público, e para a máquina do Estado. No que às empresas diz respeito mantém-se uma enorme nublosa, ainda que tenham sido anunciados os eixos prioritários.

Uma coisa é certa: a maioria esmagadora dos portugueses desconfia que mais uma vez vai haver uma mão cheia de filhos afortunados, e um exército de enteados famintos. Para que tal não aconteça, impõe-se que sejam criados mecanismos apertados de controlo, e mão pesada sobre os vigaristas e oportunistas. Até ao momento, Costa ainda não provou que desta vez os cofres estão vigiados...

*Professor Universitário e investigador do CEPESE (UP)

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