Opinião

Do Porto para o país, outra vez

Do Porto para o país, outra vez

1. No próximo dia 2 de dezembro completam-se 40 anos sobre as eleições legislativas que levaram Francisco Sá Carneiro a primeiro-ministro, numa coligação com o CDS e o PPM. Um passo histórico na então jovem democracia portuguesa, por duas razões fundamentais: a quebra de um ciclo de governação socialista; e o lançamento de um vasto programa de reformas estruturais.

A tragédia de Camarate interrompeu definitivamente o percurso político do promissor líder dos sociais-democratas. Mas nos curtos 11 meses de governação, Sá Carneiro demonstrou uma notável capacidade reformista, ao iniciar o processo de libertação do peso do Estado sobre a economia, pela privatização das indústrias nacionalizadas, e pelo processo da reforma agrária no Alentejo.

2. Foi a partir do Porto que Francisco Sá Carneiro deu os primeiros passos na atividade política, movido por um forte espírito de democratização do país, através da ala liberal, ainda na era marcelista. O Porto e o Norte reviam-se em Sá Carneiro, com toda a alma de um povo que nunca se vergou aos ditames de ditadores, nem aos conformismos situacionistas, já em plena democracia.

Ninguém é capaz de imaginar até onde teria ido Francisco Carneiro, enquanto primeiro-ministro, se não tivesse sido assassinado. Mas as suas lições, a sua resiliência, o seu inconformismo, e o seu exemplo continuam a perdurar no imaginário de milhões de portugueses. Sobretudo neste povo do Norte, amante de liberdade, tolerante e solidário, trabalhador e criador de riqueza.

3. Passadas quatro décadas, o Porto, o Norte e o país voltam a ter a oportunidade de retomar o legado político de Francisco Sá Carneiro, neste século de desafios para um novo Mundo. Porque pela primeira vez há um legítimo herdeiro e intérprete daqueles mesmos ideais, sempre assumidos por Rui Rio, enquanto líder do PSD, e candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições.

Os portugueses precisam de alguém que lhes devolva a esperança e a confiança num futuro de prosperidade e desenvolvimento sólido e sustentado. Um país que possa enfrentar as crises com a segurança de um Governo robusto, e de uma economia moderna, capaz de ombrear com os nossos parceiros mais prósperos da União Europeia. Um Portugal para todos, justo e solidário, sem preconceitos ideológicos, e de vocação universalista.

*PROFESSOR UNIVERSITÁRIO E INVESTIGADOR DO CEPESE (UP)