Opinião

Porquê tantas greves neste Governo?

Porquê tantas greves neste Governo?

1. É do conhecimento geral que o número de greves concretizadas no Governo da "geringonça" ultrapassa em muito as greves levadas a cabo na legislatura anterior. Para o cidadão comum é difícil de compreender que tendo Passos Coelho de enfrentar toda a fúria dos partidos de Esquerda, que sempre lutaram contra as imposições da troika, ainda assim tenha havido menos greves do que neste Governo.

Por outro lado, sabendo-se que comunistas e bloquistas dominam os aparelhos clássicos sindicais, e que simultaneamente são as muletas do Governo de António Costa, torna-se mais difícil perceber as razões de tão elevado surto de greves. Mas não só: é que as greves mais recentes são também as que maiores danos têm causado aos cidadãos.

2. São insuportáveis os custos das greves na saúde, nos transportes de passageiros e de mercadorias, na Justiça e na Administração Pública, entre muitos outros setores. E os portugueses ficam aterrorizados ao saber que estão na calha mais paralisações no mês de agosto, por sinal o período de férias por excelência.

Ou seja, à desesperante incapacidade de resposta que os serviços públicos nos demonstram todos os dias, em praticamente todas as áreas, junta-se o caos provocado por um elevadíssimo número de greves que se cruzam e multiplicam de forma absolutamente anárquica e desesperante.

3. As únicas explicações para factos tão contraditórios entre si também estão à vista. Por um lado, temos a degradação e o abandono a que este Governo sujeitou todos os serviços públicos e setores afins; por outro, a perceção que os sindicatos têm das fragilidades do Governo da "geringonça", o que lhes garante ganho fácil nas suas reivindicações.

António Costa surge assim cada vez mais enredado nas suas contradições políticas. E um Governo fraco é sempre uma presa fácil perante os motores das lutas sociais. Pior ainda quando cria expectativas que a dura realidade depois não deixa concretizar. Este é o preço do balão das ilusões, cada dia mais visível aos olhos de toda a gente...

*Professor Universitário e investigador do CEPESE (UP)