Opinião

A minha paixão por uma boa brasa

A minha paixão por uma boa brasa

Devo a Matosinhos, às suas gentes, aos seus pescadores e aos seus muitos templos da restauração quase tudo o que se segue. Muito obrigado meus queridos amigos dos muitos restaurantes de Matosinhos que me abriram os olhos para eu poder abrir agora a boca.

De espanto, quando saboreio a frescura de um peixe na brasa. Aproveitei a boa onda matosinhense e como julgo que os estimados leitores já estão um bocadinho fartos dos que se sentam à mesa do Orçamento, escrevo hoje sobre os que se sentam à mesa. Ao lado de uma boa brasa.

Contra todas as modernices, continuo a não ter medo de afirmar que prefiro uma boa brasa. Contra tudo aquilo que não é carne nem é peixe, reafirmo com convicção que uma boa brasa pode mudar a nossa vida. Anunciando uma nova paixão.

Mesmo quando falamos de coisas que não são bem carne, nem são bem peixe. Falando dessa brasa boa, quem nunca experimentou uma coxinha ou um peitinho de um pito do campo ainda não viveu nada.

Para além da galinha, gostaria de também chamar à colação uma boa lasca de bacalhau, do bom, que não tem comparação com aquele que se faz à mão, todo desfiadinho, com grão

Diz-se, de quem tem responsabilidades, que é mais fácil ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Na minha memória gastronómica, confesso que já me armei em forte quando a carne era fraca. Como me queixei de fraqueza quando o peixe era forte. Para dizer um, atum.

Reza a História (a minha) que terá sido só quando descobri a prometedora combinação entre um bom linguado e uma boa brasa que eu finalmente percebi o que andava a perder.

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Durante a adolescência, nunca dei o devido valor ao bom peixe português. Agora que me apercebo do real valor de uma caixa de robalos é que reconheço que devia ter levado com uma vara nas costas pelos anos que passei aprisionado por esse estúpido preconceito de que peixe não puxa carroça.

Nem de propósito, acabo de saber que um destemido agricultor do Portugal interior foi condenado por ter sido apanhado a conduzir uma carroça de burros com uma taxa de alcoolémia superior a 2! Tudo pode ter acontecido depois de um suculento almoço de peixe, regado com um bom vinho do Douro. Para os que diziam que peixe não puxa carroça, estamos conversados. E ficamos a saber que uma boa carroça pode puxar outra carroça.

Só lamento que a GNR não tenha sido sensível ao trocadilho.

Empresário

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