Opinião

A praga dos javalis e a cobra de Paranhos

A praga dos javalis e a cobra de Paranhos

Ontem de manhã soube de um estudo que reza que nos últimos 40 anos terão desaparecido 40% dos animais selvagens do nosso Planeta. Não sou nenhum especialista em animais, nem domésticos quanto mais selvagens, mas, como gosto de dizer, sou um adepto ferrenho da dúvida metódica.

Mesmo que isso incomode alguns dos meus amigos e amigas, tenho por hábito duvidar de quase tudo que me dizem e que me contam, embora por vezes sinta necessidade de explicar aos entes mais próximos e mais queridos que estas perguntas e estas dúvidas não são sinónimo de falta de confiança, mas apenas, lá está, a preocupação permanente de conseguir mais informação e perceber melhor porque é que as coisas acontecem ou são como são.

Neste caso do estudo sobre a diminuição do número de animais selvagens do Planeta, essa inquietação levou-me a perguntar ao meu informador se ele tinha alguma ideia de como é que esses cálculos tinham sido feitos. Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber como é que alguém pode saber (mesmo sem ser com números exatos) a população de animais selvagens existente no Planeta. Mas ainda percebo menos como é que há 40 anos alguém conseguiu chegar a números tão fidedignos em que as contagens atuais confiam para concluir que temos menos 40% de animais selvagens no Planeta em 2019 do que em 1979. Não sendo eu, repito, um especialista em animais ou em contagem de animais selvagens, mas sendo um leitor assíduo do nosso JN, li na última semana duas notícias que depõem fortemente contra as conclusões deste estudo. Sendo certo que uma diz respeito ao nosso país e outra até apenas e só a uma freguesia na nossa cidade do Porto. Ou seja, no momento em que me dizem que há um estudo internacional (provavelmente saidinho mesmo a tempo da Cimeira do Clima em Madrid) que chega à conclusão que há uma diminuição brutal dos animais selvagens no Mundo, sou na mesma semana confrontado com uma praga de javalis em Portugal que já causou prejuízos no valor de milhões de euros e com o aparecimento inopinado numas obras de saneamento na freguesia de Paranhos de uma cobra com 2 metros de comprimento, que só por si já provocou a interrupção dos trabalhos duas vezes, tendo sido fotografada e, entretanto, apanhada.

Eu sei que os estudos têm normalmente fichas técnicas muito bem engendradas, mas neste meu estudo desta semana para o universo de Portugal e de Paranhos, a conclusão a que chego é que os animais selvagens até estão em franco crescimento. Devo acrescentar que tanto quanto pude investigar, há 40 anos que não aparecia em Paranhos uma cobra deste tamanho.

*Empresário

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