Opinião

Amor em tempo de quarentena

Amor em tempo de quarentena

Gosto de sentir que a solidariedade não é uma palavra vã. Mas também gosto de ser original e juntando isso ao facto de não ter capacidade para ajudar meio mundo, vou tentar ajudar um amigo.

Como dizem os católicos, quem "ajuda o próximo ama a Deus". Pode ser que sirva para desconto dos meus pecados. Até porque o ótimo é inimigo do bom.

Nas arrumações a que milhões de portugueses se dedicaram nestes tempos de ficar em casa muito mais do que era costume, um amigo meu encontrou um poema que escreveu a uma mulher por quem se apaixonou, julga ele nos tempos de faculdade. Porque é um desorganizado profissional, não registou a destinatária e adorava saber para quem é que escreveu este poema a que chamou "Noite de segunda". No intuito de o ajudar, se alguma leitora reconhecer o texto abaixo responda por favor para o e-mail amoremtempodequarentena@gmail.com que irá dar uma grande alegria a esse meu amigo.

"Querida, deixemo-nos de sofismas / Quero estar contigo. Quero ver-te. Falar-te. / Tocar-te! / (mas a tua especialidade é mandar-me àquela parte...) / Faz-me falta a falta que me fazes / É inútil negar se é evidente / Talvez valha a pena tentar explicar-te / O que sinto como muito boa gente / Gosto de ti? A resposta mais fácil é a óbvia... / Obviemos a facilidade / São vantagens da idade / Vamos por partes / Uma verdade decomposta / Tem a beleza e o segredo / Pouco a pouco desvendado / De uma mulher descomposta / (aqui levo a primeira descompostura) / Gosto dos teus olhos? Sei lá se gosto / Quando fogem dos meus, sei que acabei de gostar / Acabar de gostar é tão bom como gostar de acabar / O que gostamos de ter / Gosto da tua cara? Sei lá se gosto / Quando a cara cora de embaraço / Sei que comecei a gostar / E quero um abraço / Gosto dos teus lábios? Sei lá como gosto / Quando se aproximam quase a fugir / Fujo de tudo para me aproximar / Gosto da tua cabeça? Sei lá como gosto / Quando se inclina pra mim, inclino-me a gostar / Ainda que não pareça / Quando pensa, eu também penso que sim / Mas quando viaja, calculo que é sem mim / Aqui começa a angústia sem fim / Que me atormenta / A minha varanda testemunha / Quando a ilusão se atreve / E o sonho se alimenta / Acordo estremunhado / E é contigo longe do meu lado / Que o meu corpo ferve / E se sente estranho / Tenho medo que nunca mais aprenda / É por pareceres estranha que eu me entranho / É por pareceres longe que eu te quero perto / Amo longe e a distância / Quando te aperto / Sei que voltaste / Para voltares a partir com a mesma ânsia / Levas contigo a promessa de voltar / Nunca fico cansado de esperar.

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