Opinião

Até ao verão, veremos

Até ao verão, veremos

A partir de momento em que o Governo, o presidente da República e a maioria dos nossos deputados, seguindo as indicações da DGS e outros cientistas convocados, optaram pelo chamado caminho do confinamento que eu sempre achei que a primeira parte do plano iria ser muito mais fácil e bem-sucedida do que a segunda.

Assustar as pessoas mais descontraídas, assustar ainda mais as que já viviam assustadas e pedir-lhes pela sua saúde para se recolherem em casa, dentro dos limites do possível, sendo que muitos dos que trabalhavam ainda puderam ficar a receber o seu vencimento mesmo que não todos por inteiro, foi um sucesso e até pareceu muito mais simples do que inicialmente se antevia.

Outra realidade bem mais dura, muito mais complicada e com um resultado por enquanto longe do que o Governo certamente gostaria, é o regresso a um certo tipo de normalidade que muitos desejam e a economia exige. Já todos sabemos que apelar ao sentido de responsabilidade e de bom senso do bom povo português é a cláusula inicial de qualquer "contrato" social que o Governo queira celebrar com os seus cidadãos. Pelo que já tem sido visto e ouvido, o próximo grande dilema do Governo é descobrir o que é que há de fazer ou inventar para conseguir que as pessoas voltem ao trabalho sem o medo ou as exigências que o tornarão completamente anormal. A situação agrava-se porque as autoridades temem naturalmente que uma abertura mais estimulada possa aumentar de uma forma descontrolada o número de infetados, inevitável, mas também o número de internados, o que já seria pior sobretudo nos casos que requeiram cuidados intensivos. Por outro lado, também estão com uma certa cerimónia em retirar os apoios agilizados anteriormente, maxime o lay-off simplificado, por recearem que as empresas possam ficar sem pau nem bola, ou seja, sem trabalhadores e também sem apoio financeiro para os manterem mesmo sem estarem a trabalhar.

Como quase sempre acontece nos países que se veem obrigados a enfrentar dificuldades especiais, vulgo catástrofes naturais, guerras comerciais e em tempos recuados as verdadeiras guerras e ataques terroristas, vamos conhecer bons exemplos de quem não hesita em ocupar a linha da frente e maus exemplos de "ratos" que foram os primeiros a abandonar a guerra e tudo farão para serem os últimos a regressar à luta.

Gosto de pensar que os portugueses são muito mais os que saltam para a linha da frente do que os que vestem a pele de "rato". Daqui até ao verão ...veremos.

* Empresário

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