Opinião

Cabeça fria para ideias quentes

Cabeça fria para ideias quentes

Aquilo que hoje todos não devemos ou não podemos fazer já toda a gente sabe. Interessa também pensar no que podemos fazer agora e na hora em que voltarmos a poder fazer tudo o que não conseguimos fazer nestes dias.

Uma das coisas que podemos fazer e muitos têm feito, mas convém desde já saber que deveremos continuar a fazer durante muito mais tempo, é ser solidário. O que já todos percebemos é que o Mundo, especialmente a Europa e Portugal (e porque não dizê-lo cada empresa e cada um de nós), temos todos de partir do princípio de que há dois meses que são para esquecer. Para esquecer não no sentido de não aprendermos várias lições, mas no sentido de que são dois meses que têm de ser riscados ou no mínimo postos entre parênteses nos nossos calendários pessoais e profissionais.

Quem queria casar ou fazer outro tipo de festas vai ter de as adiar e quando tudo passar voltar a fazê-las como se estes dois meses não tivessem existido. Do mesmo modo quem tinha eventos, feiras e quaisquer outras organizações vai ter de espremer as meninges para saber como é que consegue chegar vivo ao final deste ano que, contrariamente ao que é habitual e rezam os calendários, vai ter só dez meses em vez de doze. Dos restaurantes aos hotéis, dos dentistas aos cabeleireiros, dos taxistas às empresas de transporte, do comércio em geral até às muitas indústrias, o desafio vai ser o mesmo. Para alguns este é o único cenário admissível, mas para muitos este cenário pode ser atenuado com o recurso à imaginação e à criatividade na aplicação e utilização das novas tecnologias, já que o progresso do Mundo não nos traz só coisas más. É preciso manter a cabeça fria para que surjam ideias quentes. Transformar as ameaças da impossibilidade do contacto físico ou das reuniões interpessoais em oportunidades para desenvolvimento de negócios e execução de projetos que por um lado se apoiem no online e por outro lado aproveitem os tempos como estes em que nunca houve tantos portugueses disponíveis para aceder a toda a informação por essa via.

Acima de tudo, volto à ideia inicial de que a principal característica que deveremos ter para resistir no presente e potenciar a recuperação no futuro é ser solidário, sendo que nestes tempos de alerta e emergência ser solidário pode ser mesmo mais do que um saudável espírito, uma obrigação legal. Dou um exemplo em que tropecei hoje: parece que uma das dificuldades que está a existir em relação à previsão e decisões sobre a forma como terminar os campeonatos e provas profissionais de futebol esbarra no facto de os contratos com os jogadores terminarem de uma forma geral no dia 30 de junho. Tenho a certeza de que todos os jogadores, e claro que também o seu sindicato, se apressarão a vir dizer que esse obstáculo nas atuais circunstâncias claro que não vai existir. Na verdade, era o que mais faltava que uma classe maioritariamente composta por profissionais pagos claramente acima da média nacional viesse agora retirar ao povo que lhes paga a distração e o espetáculo de que o nosso povo também vai precisar na hora da recuperação.

Empresário

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