Opinião

Cuca é a coca do fado

Cuca é a coca do fado

Nunca fui um especialista, nem um especial entusiasta do fado. Tenho pouca cultura na área, mas as minhas preferências musicais viajam por outros estilos em Portugal e também por outros continentes e países. Seja como for, um encontro recente com Cuca Roseta quase me reconciliou com esta música eminentemente portuguesa.

Quando escolhi para título a ideia de que Cuca Roseta é uma espécie de coca do fado, é importante que esclareça desde já que esta frase só tem um único sentido: o sentido de que esta fadista potencia o estilo e a imagem do fado, tornando-o viciante mesmo para quem à partida tinha algum preconceito contra ele.

Não sei se podemos falar numa espécie de novo fado e novos fadistas por oposição ao fado e aos fadistas que tínhamos há 30 ou 40 anos. Mas a verdade incontornável é que Cuca Roseta é, mais do que uma nova voz, uma nova imagem do fado português. Imagino que os puristas deste estilo até a possam considerar desajustada e até a desconsiderar como representante atual do fado português. Acontece que na minha opinião e como aconteceu no meu caso, são fadistas como Cuca Roseta que conseguem atrair novos públicos e novos adeptos para este estilo musical tradicionalmente nacional.

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A minha experiência com a Cuca Roseta aconteceu em Viseu naquela que é considerada a maior festa social de toda a Região Centro, OMA, "Os Melhores Anos".

Num jantar dançante com mais de 800 pessoas, a animação musical teve vários protagonistas. A começar pelo sensacional Miguel Araújo e pelo veterano André Sarbib, que com Cuca Roseta eram os cabeças de cartaz. Já conhecedor e fã das outras atrações, foi Cuca Roseta, para mim, a surpresa da noite. Desde logo porque não se deixou ficar pelo fado, cantando temas famosos de Edith Piaff e Queen, mas acabando com um fado de Amália Rodrigues. A plateia recheada de gente ilustre, como Fernando Ruas, Santana Lopes e Ribau Esteves, da política, mas também Mário Ferreira, Fernando Mendes e Álvaro Covões, reagiu tão bem como eu a esta atuação de Cuca Roseta e por isso os anfitriões Fernando Nunes, José Arimateia e Eduardo Correia Pinto estão de parabéns com o sucesso do cartaz que escolheram para o regresso desta espécie de "Globos de Ouro de Viseu", depois de dois anos de "folga" pandémica obrigatória.

Muito obrigado, Cuca Roseta, por uma noite fantástica em que o fado e uma fadista foram um dos grandes motivos da animação. Ficam para trás os tempos em que fado só rimava com tragédia, tristeza, saudade e algum enfado.

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