Opinião

Deixem-nos trabalhar!

A crónica de hoje é especialmente dedicada a todos os pessimistas profissionais que apesar de todas as evidências continuam a achar que isto não vai correr nada tudo bem. A semana passada, os portugueses resolveram dar um ar da sua graça e foram fazer turismo cá dentro com máscara, mas sobretudo com muita vontade de respirar ar puro. Apanhar sol. Mergulhar no oceano. Jantar nas esplanadas. Caminhar por montes e vales. À conta desta expressão de liberdade, a hotelaria e a restauração portuguesa também receberam uma lufada de ar fresco (e dinheiro fresco). O contentamento não gerou nenhum descontente e até aqueles que passaram horas nas intermináveis filas da A2, como o nosso PM, não amuaram nem desataram a buzinar. Antes destas miniférias que foram muito populares, mesmo sem santos à perna, já quase todo o país tinha aberto os seus centros comerciais, as suas lojas, os seus cafés e restaurantes e apesar do que profetizaram os pessimistas do Restelo nenhum mal especial veio ao Mundo.

Já abriram quase todas as fronteiras, as companhias de aviação já anunciaram um enorme aumento da frequência dos seus voos e até aqui e ali começamos a ter notícia de algumas festas que vão acontecer mesmo sem terem de ter comícios políticos pelo meio. O futebol da Primeira Liga também já leva duas semanas de vida e uma vez mais os pessimistas, velhos e novos, não acertaram nos seus medos de que íamos ter uma catrefada de infetados nascidos nos relvados nacionais.

Ainda esta semana no setor em que trabalho mais, o têxtil e vestuário, foram reconfirmadas as grandes feiras internacionais para o mês de setembro, como a Munich Fabric Start, a Milano Única, a Première Vision em Paris, a Momad em Madrid e, claro, o nosso Modtissimo no Porto. Como é evidente nestes anúncios atrás referidos bem como nas atividades que já estão em pleno funcionamento, é sabido que todas as cautelas e precauções têm sido observadas com muito rigor. Sendo certo que isso é fundamentalmente resultado da consciência e do civismo dos cidadãos como ainda na semana passada pude testemunhar num Algarve a abarrotar, mas que não precisou de polícias, nem seguranças para ter as regras cumpridas nas praias, nos hotéis e nos restaurantes por onde deambulei.

Saúdo o facto das conferências de imprensa terem deixado de ser diárias e até me parece que se não se desse o caso de andarem a testar violentamente as populações da zona de Lisboa, elas já teriam mesmo acabado.

Posto isto, o apelo que aqui faço aos hipocondríacos, pessimistas e preguiçosos que ainda são muitos é que deixem trabalhar quem quer trabalhar.

*Empresário

Outras Notícias