Opinião

Droga na via pública é uma fratura exposta

Droga na via pública é uma fratura exposta

A criminalização do consumo de droga na via pública é mais uma questão fraturante tão ao gosto da "esquerda caviar" e pseudointelectual, ou é sobretudo mais uma fratura exposta da nossa sociedade atual, como tem defendido Rui Moreira?

Desde que existe o Bloco de Esquerda, mas com muito mais mediatização nos últimos anos, existe uma tendência indisfarçável em muita opinião publicada e na opinião pública afeta aos bloquistas para lançar, defender e apoiar causas a que gostam de chamar fraturantes.

Na esmagadora maioria destas causas, estão atividades e ativistas que atuam, segundo eles, sempre do lado certo da razão. Não cuidando de saber nem se importando com o que pensam as pessoas vítimas dessas ativações, nem com os danos colaterais por elas provocados. Num exercício de hipocrisia chocante, a todos os títulos...

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Exemplo recente e flagrante disto mesmo foi a polémica à volta do propalado "transfake", em que uma ativista brasileira trans interrompeu inopinadamente uma peça de teatro em Lisboa, alegadamente porque o ator que representava o papel não era na vida real o tipo de personagem que estava a representar. Mas não é essa a essência da arte da representação numa peça de teatro, numa série de ficção ou num filme? Qual é o espanto? Uma situação de ridículo total, em que também foram totalmente desrespeitados o ator que fazia o seu trabalho e o público que tinha pago o seu bilhete.

Com a proposta do presidente da Câmara do Porto de criminalização do consumo de droga na via pública está a acontecer um fenómeno análogo. As mesmas correntes de opinião estão muito preocupadas e sensibilizadas com os problemas e a liberdade de atuação dos drogados, mas não querem saber dos problemas nem dos danos, físicos e morais, de todas as vítimas colaterais, os que sofrem com a droga não se drogando. Vítimas e danos que Rui Moreira já esclareceu publicamente e muito bem.

Ao fim e ao cabo, voltamos à questão habitual e crucial que sempre emerge quando se discute a Liberdade em geral e as várias liberdades em particular: em boa verdade, a minha liberdade acaba quando interfere na liberdade dos outros.

No ativismo trans e no consumo de droga na via pública, há de ser diferente só porque o Bloco de Esquerda e companhia acham que os trans e os drogados também são diferentes das outras pessoas? Para melhor, segundo eles? Realmente era o que mais faltava.

*Empresário

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