Opinião

É preciso uma ajuda a todo o gás

É preciso uma ajuda a todo o gás

Não há Estado sem pessoas e por isso não há Portugal sem portugueses. Mas também não há Estado sem economia, nem economia sem pessoas e consumidores. Como também não há economia sem empresas, nem empresas sem pessoas, ainda que em alguns setores cada vez menos.

O que acontece num Estado normal, mesmo quando ele não é omnipresente como nas economias de mercado livre ou apenas parcialmente regulado, é existirem medidas e respostas extraordinárias de emergência, sempre que se dá um fenómeno anormal, extraordinário em situações de emergência de índole diversa.

Só para referir algumas dessas emergências da nossa memória recente, durante a ocorrência de catástrofes climatéricas como Pedrógão ou sanitárias como a pandemia, o Governo (enquanto representante legítimo do Estado) tomou decisões e implementou medidas de apoio, extraordinárias e de emergência, aos cidadãos afetados em primeira linha, e depois também às empresas vítimas dessas emergências anormais.

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Quando um cidadão ou uma empresa fica em má situação por sua culpa exclusiva ou por uma situação de risco de mercado normal, no caso das empresas, o Estado até pode ter pena, até pode e deve prever os apoios mínimos no caso dos seus cidadãos, mas no resto "it"s life".

Esta introdução contextual serve para explicar porque é que o Estado português e o seu Governo têm de tomar rapidamente medidas de apoio às empresas mais afetadas pelo extraordinário e anormal aumento da conta do gás devido essencialmente ao estado de guerra provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Facto para o qual nenhuma empresa portuguesa contribuiu, podia legitimamente prever ou tentar evitar.

Como já foi referido pelo presidente da ATP, engenheiro Mário Jorge Machado, mas também pelo representante da indústria de cerâmica, juntamente com a têxtil outro dos setores mais prejudicados, há vários casos de empresas que viram a sua conta do gás multiplicada por 10. Um aumento inesperado e absolutamente extraordinário como este não é possível repercutir no produto final sem perder toda e qualquer competitividade. Em setores fortemente exportadores e com muita mão de obra como a têxtil, sem medidas de apoio a todo o gás, as empresas podem sofrer perdas irreparáveis. E com isso lá virão as perdas para as pessoas, a economia... e o Estado.

*Empresário

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