Opinião

Em Lisboa o vírus não é coisa boa

Em Lisboa o vírus não é coisa boa

Tenho assistido com alguma ironia à dramatização do aparecimento de um número maior de infetados da atual pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo. Desde logo quando falamos da região de LVT o que estamos no fundo a querer salientar são os números de Lisboa e concelhos limítrofes, porque os distritos de Santarém e Setúbal contam muito menos e interessam menos ainda. Devemos começar por lembrar que o número de infetados nesta região, mesmo que nas últimas semanas tenham representado a maior percentagem de novos infetados no país, estão ainda numa comparação diária muito abaixo dos números já registados na pior fase da covid na região Porto e Norte. Mesmo assim, considerando até que as infraestruturas sanitárias da capital só podem ser mais e melhores que as da Região Norte, para servirem um número semelhante de cidadãos, a verdade é que parece que só agora é que a Direção-Geral da Saúde e os responsáveis pela saúde pública não estão a fazer o que teria de ser feito.

Como é evidente, a minha dor de barriga e a minha unha encravada são sempre mais graves, mais difíceis de curar e mais dolorosas que as mesmas maleitas da minha vizinha. De fato, já conhecemos desde a história das galinhas. Apesar de a situação não ser para risos e de todos termos de respeitar absolutamente os problemas que este vírus tem causado, a verdade é que soa um bocadinho a falta de respeito para quem passou o que passou, nomeadamente nas regiões Porto e Norte e Centro, ouvir agora da parte dos mais altos responsáveis grandes indignações porque os testes não são suficientes, os resultados demoram muitas horas e as estratégias de combate no terreno deixam muito a desejar em termos de resultados e muitas queixas no que toca à descoordenação das chefias. Repito porque não é demais relembrar que também no Norte e no Centro todos lamentamos muito em cada dia que passa cada novo infetado, que aumenta os avultados números acumulados dos concelhos da área da Grande Lisboa.

De qualquer modo, depois de ter assistido in loco e de ter tido conhecimento direto de muitas situações concretas aqui passadas (porque tenho familiares próximas no centro deste furacão), não me sentiria bem se agora não soltasse este desabafo em forma de crónica, quando vejo os senhores da capital a queixarem-se amargamente da falta de condições que não duvido que existam, mas que tenho a certeza de que não são seguramente piores do que aquelas que a região Porto e Norte teve de enfrentar em dias passados com o dobro dos infetados.

*Empresário

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