Opinião

Em política, o que é nem sempre parece

Em política, o que é nem sempre parece

Gostava de começar a crónica de hoje por uma frase batida: "em política o que parece é".

Aqui está uma regra que, de acordo com a outra regra que diz que não há regras sem exceções, também teve neste domingo passado uma relevante exceção. De facto, os resultados das eleições europeias não são o que parecem. Para os mais preciosistas eu talvez acrescentasse não são exata e rigorosamente o que parecem. Comecemos pela celebrada vitória do PS. Não está em causa que o PS tenha sido um dos vencedores destas eleições, mas quem lhe outorgou essa vitória foram apenas pouco mais de 8% dos eleitores portugueses. Pelo que do mesmo modo aquela que foi apresentada como a pior derrota de sempre do PSD, sem desmentir essa catástrofe, é preciso que se diga que as notícias verdadeiras são ainda mais graves para os sociais-democratas, porque só pouco mais de 5% dos eleitores é que se deixaram convencer pelos esforços de Paulo Rangel e Rui Rio. Já no CDS, o que dizer dos menos de 2% de eleitores que confiaram o sue voto em Nuno Melo e no seu partido? Talvez por causa desta triste realidade é que, no rescaldo da refrega eleitoral, assistimos a uma luta encarniçada entre Assunção Cristas e Nuno Melo para ver quem tinha mais fair play a reivindicar para si o odioso da derrota. Mas regressando ao lado dos vencedores, também o "espetacular" sucesso de Marisa Matias e do Bloco de Esquerda só corresponde a cerca de 2,5% dos eleitores e a surpresa da noite, o PAN , acaba por ser menos surpreendente se constatarmos que apenas pouco mais de 1% dos eleitores é que acharam que era importante ter no Parlamento Europeu uma voz portuguesa a defender o planeta, a natureza e os animaizinhos. Concluindo com os outros derrotados da noite, a CDU tem também razões para ficar preocupada por não ter chegado sequer aos 2% de eleitores e os novatos da Aliança do "velhinho" Santana Lopes ficam ainda mais deprimidos se derem conta de que o número de eleitores que apreciou a novidade não chegou a 0,5%.

Julgo que não precisaria de explicar aos meus estimados leitores estas contas que fiz com o comportamento dos eleitores, mas para refrescar a memória ou a atenção dos que estiveram menos atentos aos números finais, a soma dos eleitores que se abstiveram ou votaram branco ou nulo corresponde, números redondos, a 75% dos eleitores inscritos, pelo que as percentagens que fizeram as manchetes das notícias e emissões eleitorais é preciso dividir por quatro para ficar a saber o verdadeiro número de portugueses que votou em cada uma das 17 alternativas que constavam no boletim de voto.

Empresário

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