Opinião

Escrever direito por linhas tortas

Escrever direito por linhas tortas

A menos de 10 dias do Natal, confesso que não me apetece escrever sobre nenhum assunto daqueles que têm composto a agenda mediática dos últimos tempos.

Para as trapalhadas de João Rendeiro, a detenção de Manuel Pinho e mulher, mais as intermináveis discussões sobre a urgência da vacinação dos menores de 11 anos, a barraca do sorteio da Liga dos Campeões e as desgraças climatéricas com erupções de vulcões intermináveis e tornados em catadupa,já muito foi dito e muito continuarão a escrever, mas eu, hoje pelo menos, não.

Prefiro concentrar-me na segunda época natalícia em que o medo e as restrições sanitárias têm vindo a complicar e em muitos casos impedir, a realização dos convívios profissionais, amigáveis e familiares tão característicos desta época. Porque sou um militante indefetível destes convívios, ainda que agora com a obrigatória observação de todos os requisitos legais, resolvi sugerir hoje um local onde, para além da boa gastronomia, existem preocupações sanitárias que eu nunca tinha visto. Logo à entrada, para além do gel habitual, existe uma máquina que nos faz uma espécie de desinfeção total e generalizada que nos deixa absolutamente seguros sobre todos os contactos que venhamos a ter durante a refeição.

Há um verso que reza assim: um nome é só um nome, é só um nome. Garfo Torto podia ser um nome desses. Diz o povo que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Mas este restaurante, como acontece a muitas mulheres vila-condenses, sejam ou não caxineiras, nasceu para dar luta. O melhor de cada luta é experimentar o enorme prazer e o divertimento de não termos a vitória garantida. É precisamente isso que sinto de cada vez que me estreio numa nova aventura destas.

Outro poeta lembrou que devemos aproveitar a vida porque a vida é um convidado que nunca nos visita duas vezes. Já este Garfo Torto tem direito a ser visitado muitas vezes, pelo menos tantas quantas eu me lembrar do excelente bacalhau que lá me serviram. Muito bem entrincheirado entre uma broa magnífica e uma cama de grelos como há muito não comia a acompanhar o belo do bacalhau. Como também vou querer muito voltar ao lugar do creme. Um leite-creme envolto em folhado finíssimo e finérrimo.

É engraçado como um restaurante nos consegue pôr a escrever direito por linhas tortas.

*Empresário

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